Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Polícia apura se bala desviou antes de atingir Ágatha; PMs não participam de reconstituição

Investigação aponta para hipótese de tiro ter desviado em poste antes de atingir a menina; reconstituição do crime acontece na noite desta terça, sem a presença dos policiais suspeitos

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 19h36
Atualizado 03 de outubro de 2019 | 17h02

RIO - A Polícia Civil investiga a hipótese de uma bala ter desviado em um poste e atingido a estudante Ághata Félix, de 8 anos, que morreu vítima de uma bala perdida no último dia 20 na Fazendinha, uma das favelas do complexo do Alemão, na zona norte do Rio.

Essa possibilidade será analisada durante a reconstituição do crime, realizada na noite desta terça-feira, 1, no local em que a menina foi morta, uma esquina da Rua Antonio Austregésilo. A reconstituição começou às 18h40, sob condições de luminosidade semelhantes às do momento do crime.

Cinco testemunhas participariam da reconstituição, entre elas o motorista da Kombi que transportava Ághata. Os 12 policiais militares investigados e a mãe de Ághata, Vanessa Félix, que estava com a menina na hora do crime, não vão participar.

Os policiais usaram do direito de não participar. A mãe passou mal, com picos de pressão alta, e por isso não teve condições de estar presente, segundo o advogado Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado do Rio de Janeiro (OAB-RJ).

“Perto do local tem um poste que apresenta sinais de arma de fogo e é possível que o tiro tenha atingido o poste e desviado até a menina”, afirmou, na noite desta terça-feira, o delegado Antonio Ricardo Lima Nunes, diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP) da Polícia Civil do Rio.

Nunes também disse que os policiais afirmaram que teriam sido alvos de disparos. “Os policiais afirmam que uma moto passou por eles, na noite do crime, e o garupa atirou na direção deles”, afirmou o delegado.

Ágatha voltava para casa com a mãe, em uma perua Kombi que faz transporte local. Testemunhas afirmam que o tiro partiu de policiais militares que faziam ronda na comunidade. Os PMs afirmam que havia confronto com criminosos, o que as testemunhas negam.

“Temos 70 policiais envolvidos na reconstituição, entre eles quatro peritos da Delegacia de Homicídios da capital. Vamos fazer as medições e confrontá-las com as versões apresentadas. A ideia da reconstituição é exatamente saber se houve confronto ou não. Ela vai ser feita de acordo com o que as testemunhas afirmaram”, disse o delegado.

Segundo Nunes, três blindados fazem a proteção da área, para evitar que criminosos ataquem os policiais durante a reconstituição.

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