Carina Bacelar/Estadão
Carina Bacelar/Estadão

Polícia Civil apreende adolescente suspeito de esfaquear médico

Garoto de 16 anos tem 15 passagens pela polícia e depôs nesta quinta; corpo de Jaime Gold é velado no Cemitério Israelita do Caju

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 09h58

Atualizado às 20h30

RIO - Um adolescente de 16 anos, com 15 passagens pela polícia, é o principal suspeito do assassinato do médico Jaime Gold, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio. Detido de madrugada na favela de Manguinhos (zona norte), ele foi reconhecido por uma testemunha como um dos dois criminosos que atacaram a vítima a facadas. O rapaz foi filmado por câmeras de segurança na área e em horário próximo do crime, ocorrido pouco antes das 19 horas de terça-feira.

O menor admitiu que pratica assaltos na Lagoa, mas, até o início da noite, não assumira participação no crime. Diretor da Delegacia de Homicídios, o delegado Rivaldo Barbosa disse que o suspeito rouba em Ipanema, Leblon e Lagoa, bairros nobres da zona sul. “Em conversa informal, ele foi categórico em dizer que furta e rouba bicicletas na zona sul e vende para algumas pessoas da própria comunidade em Manguinhos”, afirmou.

Morto aos 56 anos, Gold foi enterrado no Cemitério Comunal Israelita, no Caju, zona norte. Os filhos Daniel, de 22 anos, e Clara, de 21, não deram entrevistas. A ex-mulher, Marcia Amil, também não conversou com os jornalistas. Cerca de 300 pessoas acompanharam o sepultamento. Dois protestos estão sendo convocados para o fim de semana, com missa, passeata e bicicletaço até o Palácio Guanabara, sede administrativa do governo estadual.

Aos policiais, o adolescente afirmou que roubava bicicletas na zona sul e demorava no máximo 35 minutos para pedalar até Manguinhos, onde mora com a mãe em um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida.

Ele largou os estudos há quatro anos. No momento em que foi apreendido, estava com um irmão, uma irmã e um cunhado e “não demonstrou muita emoção ao ser abordado”, disse o delegado. “A testemunha aponta categoricamente a autoria do latrocínio contra esse menor.” 

Na delegacia, o suspeito depôs acompanhado da mãe, de uma irmã e de três advogados. Os registros policiais indicam que, das 15 detenções sofridas por ele, cinco foram por roubo com emprego de arma branca - o primeiro aos 11 anos. No corredor na frente do endereço onde mora foram achadas três facas, um facão e duas tesouras, informou a polícia.

Segundo o delegado, as investigações apontam que Manguinhos e a vizinha favela do Jacarezinho são ponto de receptação de bicicletas roubadas. Agentes recolheram 15 bicicletas perto da casa do adolescente, com indícios de que tenham sido roubadas. Nenhuma era a do médico assassinado. “Há bicicleta ali que custa R$ 30 mil, ao que parece”, disse Barbosa.

O delegado falou que o menor foi apreendido pela primeira vez em 2010, por crime contra o patrimônio na avenida onde o médico foi morto, a Epitácio Pessoa. As últimas três passagens pela polícia, em 2014, foram todas na zona sul (Leblon e Ipanema), duas delas por roubo. O adolescente será encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude, que poderá determinar a internação em unidade para menores infratores.

Delinquentes. No Comitê Rio-2016, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) defendeu que os assassinos do médico sejam tratados como “delinquentes”. Paes reuniu-se com diretores do Comitê Olímpico Internacional (COI). Haverá provas de canoagem e remo na Lagoa.

“O que a gente vê nesses casos é uma pessoa que sai armada com uma faca, agride, a ponto de levar essa pessoa à morte. Esse não é um criminoso que tem de ser tratado. É um delinquente que tem de ser tratado com a dureza da força policial. Não tem jeito. Isso não é um problema social.” 

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