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Polícia Civil apreende material radioativo em aeroporto do Rio

Delegacia aumentou o número de inspeções sobre produtos desse tipo com a aproximação dos Jogos Olímpicos

Alfredo Mergulhão, O Estado de S. Paulo

05 Maio 2016 | 16h10

RIO - Uma carga com material radioativo foi apreendida na manhã desta quinta-feira, 5, no Aeroporto Santos Dumont, centro do Rio. Os dois recipientes de fluordesoxiglicose, produto de uso médico, foram recolhidos pela Polícia Civil porque eram transportados de carro em desacordo com as normas técnicas. O motorista Emerson dos Santos, de 41 anos, foi preso em flagrante. Segundo a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), a empresa BND Bionuclear, responsável pelo transporte, será responsabilizada criminalmente por transporte de material perigoso à saúde humana em desacordo com as normas técnicas.

Cada recipiente pesa 36kg e veio despachado em avião de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, em voo convencional. Os produtos seriam entregues na Clínica Médico Cirúrgica, em Botafogo, zona sul, e na Clínica de Diagnóstico por Imagem (CDPI), na Barra da Tijuca, zona oeste. O delegado José Luiz Duarte, titular da DPMA, informou que a empresa aérea e as unidades de saúde não cometeram crime. O problema ocorreu no transporte terrestre.

“O transporte de material radioativo está condicionado a algumas normas técnicas. A empresa não estava cumprindo algumas dessas condicionantes, como ausência de equipamento de segurança para medir vazamento. O motorista estava sem o aparelho de uso obrigatório que mede a dose de radiação a que é exposto durante o serviço", disse o delegado.

Os recipientes eram transportados soltos na carroceria de um carro utilitário. Duarte alertou para o risco de vazamento de radiação em caso de acidente de trânsito. O licenciamento e a certificação da BND Bionuclear estão em dia.

Uma equipe de três funcionários da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) inspecionou o material na Cidade da Polícia (sede de delegacias especializadas), em Manguinhos, zona norte, para onde a carga foi levada. Após a vistoria, os profissionais verificaram que a carga radioativa não oferece riscos à saúde humana. Os recipientes estão na delegacia e serão recolhidos nesta sexta pela Cnen.

A BND Bionuclear informou que o transporte foi feito de acordo com as normas legais e que não havia risco de vazamento do material radioativo. Segundo a empresa, a substância, líquida, é guardada em uma cápsula de chumbo que exige técnica específica para ser aberta, o que só seria possível no hospital para onde estava sendo levada.

Segundo a empresa, o material é fabricado pela própria Cnen e perde metade de seu poder radioativo a cada duas horas. Já teria chegado ao Rio com potencial reduzido pelo menos à metade. A BND informou que realiza o serviço de transporte há mais de 40 anos.

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