Tânia Rego / Agência Brasil
Tânia Rego / Agência Brasil

Ao menos sete pessoas são presas em operação contra milícia no Rio

Organização criminosa, comandada por Orlando Curicica, é acusada de aterrorizar moradores e comerciantes de regiões na zona oeste da cidade

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 08h18

RIO - Pelo menos sete pessoas já foram presas desde o início da manhã desta sexta-feira, 31, por policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DH/Capital) que estão na rua cumprindo 21 mandados na "Operação Entourage". O objetivo é desarticular e prender integrantes de uma das maiores milícias da zona oeste do Rio

A organização criminosa, comandada por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, é acusada de aterrorizar moradores e comerciantes das regiões de Curicica, Terreirão, Boiúna, Santa Maria, Lote 1000, Jordão e Teixeiras, no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste. Eles também são acusados de diversos homicídios.

A ação desta sexta-feira é referente a dois inquéritos -- um deles teve origem nas investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O nome de Orlando Curicica, na época considerado suspeito, foi apontado como responsável por vários crimes praticados por milicianos na zona oeste. 

Entre os alvos da operação, há quatro policiais militares e um bombeiro. Um dos acusados é o PM Rodrigo Jorge Ferreira, testemunha do caso Marielle e Anderson. Serão também cumpridos mandados de busca e apreensão em batalhões da PM e dos Bombeiros e em celas de presídios onde alguns dos acusados já se encontram detidos.

"A materialidade das ações criminosas da quadrilha está comprovada por meio de farta documentação anexada aos inquéritos policiais, demonstrando que a atividade dessa milícia visa a criar monopólio das atividades econômicas de forma clandestina da área para subjugar a população local, valendo-se de atividades ilícitas", informou a nota oficial da Polícia Civil.

Os inquéritos policiais, instaurados pela DH/Capital, revelaram que o grupo opera na exploração ilegal de serviços básicos na região, como transporte, lazer, alimentação e segurança, cobrando taxas de proteção aos comerciantes da localidade, pedágios aos trabalhadores de transporte alternativos (vans e mototáxis), além de dominar associações de moradores das regiões.  

Os crimes praticados pelo bando são, em sua maioria, cometidos com extrema violência, incluindo execução de testemunhas e tentativas de homicídio de autoridades responsáveis pelas investigações. Os membros dessa quadrilha fazem imperar a "lei do silêncio" entre os moradores da localidade em que exercem o controle criminoso. 

Orlando Curicica foi preso no dia 27 de outubro de 2017, num condomínio em Vargem Pequena, na zona oeste, durante operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO). Ele está em presídio federal em Mossoró, no Rio Grande do Norte. 

Os inquéritos comprovaram ainda que a organização criminosa conta com grande poderio armado, aterrorizando e impondo uma rotina de intimidação a moradores e eventuais  testemunhas.  

Para manter o monopólio das atividades econômicas e a impunidade de suas ações criminosas, a quadrilha comete vários tipos de delitos, como homicídios, ameaças, torturas, extorsões, "grilagem", porte de arma de fogo, roubos, estelionato, contrabando, descaminho, entre outras atividades ilícitas. 

A ação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ, das Corregedorias da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e do setor de inteligência da Seap. 

"Os denunciados constituíram organização para a prática de crimes como extorsão a moradores, comerciantes e prestadores de serviços, em troca de oferta de segurança, invasões de imóveis para futura revenda, grilagem de terra, falsidade documental, comercialização de sinais clandestinos de internet, televisão a cabo e do comércio de gás e água, somando-se a isso a venda de munições e armas de fogo, cigarros falsificados, contrabando, clonagem e receptação de veículos, além de corrupção", esclareceu nota do MPRJ.

A nota do MPRJ informou ainda que "a organização é caracterizada por clara estruturação e divisão de tarefas, nos quais havia os membros incumbidos da gestão do esquema criminoso, os seguranças designados para a proteção pessoal dos chefes do bando, os responsáveis pelas áreas dominadas, os soldados, os cobradores ou recolhedores, os vendedores de armas de fogo e cigarros, os olheiros e os incumbidos da clonagem e receptação de veículos."

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