Secretaria de Habitação/Divulgação
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Suspeito morre durante operação policial em prédios do Minha Casa

Segundo a Polícia Civil, homem estava com uma pistola e tentou reagir; condomínio em Barros Filho foi invadido por traficantes

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 09h20

Atualizado às 20h59

RIO - Um suspeito morreu e cinco foram presos por tráfico durante operação da Polícia Civil, nesta terça-feira, 29, em conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida, em Barros Filho, na zona norte do Rio. A ação foi a primeira de combate ao controle, por traficantes e milicianos, de oito condomínios do programa federal.

No Residencial Haroldo de Andrade, agentes invadiram 60 apartamentos, um deles ocupado pela mulher de um traficante. O imóvel foi reformado e decorado com luxo. Os apartamentos estavam ocupados de modo irregular por famílias que habitavam favelas dominadas pela facção Amigos dos Amigos (ADA). Com a chegada da polícia, houve fuga em massa. O condomínio tem 1.260 unidades residenciais, todas ocupadas. A polícia investiga quantas famílias são invasoras. No local, o programa é chamado de “Minha Casa Meu Inferno”.

Segundo a versão da Polícia Civil, na chegada, traficantes dispararam contra os agentes, que revidaram. O homem morto, cuja identidade não havia sido revelada até a noite de ontem, teria resistido à prisão e entrado em confronto com os agentes. Ele estaria com uma pistola, apreendida. A polícia conseguiu recuperar 30 carros e 15 motos roubados. 

Playboy. Em um dos apartamentos vasculhados, policiais apreenderam um curió, pássaro silvestre, batizado de Playboy, apelido de Celso Pinheiro Pimenta, chefe do tráfico no vizinho Morro da Pedreira. Morto em agosto em ação da Polícia Federal (PF), Playboy ordenara, em março de 2014, a invasão ao condomínio. 

Antes da expulsão comandada por Playboy, nas 60 unidades de 45 metros quadrados, com dois quartos e sala, viviam famílias pobres de Manguinhos, favela na zona norte dominada pelo Comando Vermelho (CV), facção inimiga da ADA. Esses moradores foram obrigados a deixar os apartamentos e outras famílias, autorizadas pelo tráfico, assumiram os imóveis. Os traficantes estabeleceram taxas de limpeza (R$ 25 mensais) e de condomínio (R$ 350).

A Polícia Civil anunciou que haverá novas incursões ao Haroldo de Andrade. O delegado titular da 40.ª DP, Wellington Vieira, disse que 50 criminosos costumam circular armados pelo conjunto. Durante a operação, os bandidos escaparam por trilhas pela mata.

“Essas pessoas sofriam todo tipo de ameaças e tinham prazo de cinco dias para deixar a casa, só com a roupa do corpo. É o ‘Minha Casa, Meu Inferno’”, disse o delegado. Dois assassinatos ocorridos nas dependências do conjunto são investigados. A existência de um cemitério clandestino, ainda não identificado, é alvo de inquérito.

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