REUTERS/Ricardo Moraes
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Polícia Civil investiga origem do tiro que matou jovem grávida na zona norte do Rio

PMs dizem ter sido atacados por criminosos no Complexo do Lins. Já a família da vítima relata que disparo partiu de agente e cobra apuração. Kathlen Romeu foi morta na terça-feira, 8. MP instaurou apurações

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 17h53
Atualizado 11 de junho de 2021 | 12h10

RIO - A Polícia Civil do Rio segue tentando descobrir quem disparou o tiro que matou a designer de interiores Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, atingida por uma bala perdida de fuzil quando caminhava com a avó por Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro, na tarde de terça-feira, 8. Ela estava grávida de 14 semanas, e morreu ao chegar ao hospital. O bebê também não resistiu. A avó saiu ilesa. O Ministério Público também instaurou apurações. 

A Polícia Militar afirma que policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) foram atacados por criminosos, quando estavam em uma localidade chamada “Beco da 14”, e reagiram. Eles só souberam que Kathlen havia sido atingida quando o tiroteio terminou, sem que ninguém fosse preso.

A Delegacia de Homicídios da capital já ouviu cinco dos 12 policiais militares que participaram da ação. Segundo a polícia, o cabo Marcos Felipe da Silva Salviano disse ter trocado tiros com quatro criminosos, todos armados e pelo menos um deles portando fuzil, por volta das 14h15 da terça-feira.

O PM afirmou ter disparado cinco vezes de fuzil e disse que seu colega cabo Rodrigo Correia de Frias atirou duas vezes. Ele não soube dizer sobre tiros disparados por outros policiais.

 A Polícia Civil não encontrou, no local em que Kathlen morreu, cápsulas deflagradas, que pudessem facilitar a identificação do autor dos disparos. Isso prejudicou a perícia. A PM garante que não alterou o local do crime, antes da perícia.

A família da vítima diz que o tiro que matou a designer de interiores foi disparado por um policial. "Avisa ao major Blaz (porta-voz da PM) que esta historinha que é contada há anos na televisão que foi troca de tiros, que a polícia foi recebida a tiros.. quem foi recebida a tiros foi a minha filha. Eu fui informada por todos de que não foi troca de tiros", afirmou ao portal G1 a mãe de Kathlen, Jaqueline de Oliveira Lopes.

Segundo a avó da designer, Sayonara Fátima, que estava com ela na hora do tiroteio, os PMs resistiram a socorrer sua neta: “Eles não queriam nem que ela entrasse no carro. Eu falei: 'Me leva, nem que for na caçamba', mas eles conseguiram levar. Eles socorreram porque eu gritei", afirmou ao G1.

A PM afirma que, assim que soube da mulher ferida, prestou socorro levando-a ao hospital Salgado Filho, no Méier (zona norte), mas ela morreu.

Avó da vítima vai prestar depoimento nesta sexta-feira

A família de Kathlen vai à Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca (zona oeste), nesta sexta-feira, 11. A avó da vítima, Sayonara Fátima, vai prestar depoimento a partir das 10h na investigação sobre a morte da neta. A mãe de Kathlen, Jaqueline de Oliveira Lopes, o pai, Luciano Gonçalves, e o namorado dela, Marcelo Ramos, vão acompanhar a avó, segundo parentes. Embora não tenham sido intimados a prestar depoimento, eles estarão à disposição do delegado para depor no inquérito.

Ministério Público instaura investigações

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) instaurou duas investigações sobre a morte. Uma investigação tratará do crime comum e outra, de eventual crime militar, que pode ter sido cometido pelos policiais militares que participaram da ação.

“A 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro informa que instaurou Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para investigar, em procedimento independente, os fatos que causaram a morte de Kathlen de Oliveira Romeu”, informou o MP-RJ.

“Por sua vez, a Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar do MP-RJ informa que também instaurou PIC para apurar eventual crime militar relacionado ao caso”, segue a nota. “Informa, ainda, ter acionado a Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio requisitando a instauração de Inquérito Policial Militar”.

A PM informou que também está fazendo sua investigação sobre o caso.

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