Polícia deve ter acesso a escutas de acusada de matar Priscila

A quebra de sigilo pode comprovar a veracidade sobre a mulher que assumiu ter matado irmã de Victor Belfort

Pedro Dantas, do Estadão,

13 de agosto de 2007 | 19h33

O delegado-titular da 75ª Delegacia de Polícia de Rio do Ouro, em São Gonçalo (Grande Rio), Anestor Magalhães, deve ter acesso nesta terça-feira, 14, a listagem de chamadas do celular da desempregada Elaine Paiva da Silva, de 27 anos, que confessou ter assassinado Priscila Belfort após participar do seqüestro da vítima com uma quadrilha de pelo menos 11 pessoas supostamente por conta de uma dívida dela e de um namorado com traficantes de drogas.   A quebra do sigilo telefônico pode comprovar a veracidade do depoimento de Elaine, que disse ter marcado o encontro com a vítima pelo celular, mas entrou várias vezes em contradições e agora nega que tenha feito os disparos que mataram Priscila.   "Tudo que foi dito por ela será investigado da mesma forma. Ela não nega tudo, apenas afirma que não atirou em Priscila", disse o delegado De acordo com policiais da 75ª DP, outras três pessoas da quadrilha já identificadas devem ser presas nos próximos dias. Todos teriam antecedentes criminais. Além de Elaine, estão presos Aílton Conceição Lopes, o Tigre, que tem passagem na polícia por roubo, Silvana Luiz de Oliveira e o filho dela Hugo de Oliveira Lopes.   O delegado não conseguiu ouvir Elaine que estava na carceragem da 72ª DP (São Gonçalo), mas foi transferida para a da 53ª DP (Mesquita), após se desentender com Silvana. A versão de Elaine para o crime enfrenta resistências principalmente por parte dos policiais da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) onde está o inquérito.   Apesar do Disque-Denúncia ter registrado sete chamadas apontando Rio do Ouro como local da execução da vítima, policiais da delegacia especializada estiveram apenas uma vez na região e nada encontraram.   De acordo com Elaine, Priscila, desaparecida desde 9 de janeiro de 2004, foi seqüestrada e mantida três meses e meio em cativeiro antes de ser executada a mando do traficante Nílson Duarte da Silva, o Pagodeiro. Ele teria contratado ela e Silvana como vigias do cativeiro.   A reunião para planejar o crime teria ocorrido no Morro da Mangueira. Esta seria uma das contradições do depoimento de Elaine,pois Pagodeiro controlava o tráfico nas favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, pela facção criminosa Amigo dos Amigos (ADA) rival do Comando Vermelho que atua na Mangueira. Foragido a partir de 1999, Pagodeiro foi preso por tráfico de drogas e roubo desde 2006.   Elaine apontou um seqüestrador chamado Paulo como alguém próximo a família Belfort. Ele teria confirmado que parentes receberam uma carta escrita por Priscila no cativeiro. O lutador de vale-tudo Vítor Belfort negou tudo. Na fazenda apontada por Elaine como local da execução e ocultação do cadáver, a polícia achou restos de uma camisa e sandálias que a vítima estaria usando ao ser morta e um osso que os investigadores acreditam ser de um animal.   O material foi enviado para perícia. Um homem confessou a compra de um crânio com marca de tiro, mas disse à polícia que jogou no lixo. Um outro crânio com perfuração de bala, encontrado no sábado na região, seguiu para o IML onde deve ser feito um exame de DNA. "A marca não confere com o depoimento de Elaine, mas vamos examinar", disse o delegado.

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