Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Polícia do Rio ainda não sabe quem matou 7 homens a tiros em São Gonçalo

As mortes ocorreram durante operação promovida em conjunto pelo Exército e pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core); no entanto, as instituições negam ter atirado contra qualquer pessoa

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 21h47

RIO – A Polícia Civil ainda não sabe quem matou os sete homens assassinados a tiros no complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo – município na Região Metropolitana do Rio –, na madrugada de sábado, 11. As mortes ocorreram durante uma operação policial promovida em conjunto pelo Exército e pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), unidade de operações especiais da Polícia Civil. As duas instituições, no entanto, negam ter atirado contra qualquer pessoa. Moradores da comunidade acusam os policiais da Core de atirar a esmo na comunidade, onde estava sendo realizado um baile funk.

O único policial civil que participou da operação e já depôs à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, responsável pela investigação, afirmou ter ouvido tiros, mas disse que seu grupo não disparou nenhum deles nem participou de qualquer confronto.

O Comando Militar do Leste (CML), responsável pelos 17 soldados do Exército que atuaram na operação de sábado, também nega que seus subordinados tenham disparado qualquer tiro.

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Segundo o coronel Roberto Itamar, porta-voz do CML, os militares atenderam a uma solicitação da Core e ofereceram apoio a  uma ação de reconhecimento nas favelas do Salgueiro, onde havia  notícias da presença de traficantes. Foi formada uma equipe com dois blindados do Exército e um da Core que saíram da Cidade da Polícia rumo ao Salgueiro. Em um acesso da Estrada das Palmeiras houve um intenso tiroteio, e os agentes de segurança encontraram as pessoas mortas nessa via, ao longo de um quilômetro, afirmou Itamar. A partir daí, a polícia começou a averiguar o que estava acontecendo e as Forças Armadas garantiram a segurança das equipes que realizavam o trabalho policial.

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Em nota conjunta divulgada na noite de sábado, a Polícia Civil e o Estado-Maior Conjunto nas Ações em Apoio ao Plano Nacional de Segurança Pública afirmaram que, quando chegaram ao local, os agentes de segurança puderam “perceber resistência armada por parte de criminosos”. Com esse grupo, segundo a nota, foram apreendidos um fuzil, sete pistolas, cinco carregadores, munições, rádios transmissores, drogas, celulares e vários documentos.

Questionado nesta segunda-feira, 13, sobre o episódio, o secretário estadual de Segurança do Rio, Roberto Sá, afirmou apenas que confia na investigação policial e que não poderia fazer mais comentários, sob risco de prejudicar a apuração.

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