Polícia do Rio encerrou investigação de morte de ciclista mesmo sabendo de 3º suspeito

Primeiro adolescente apreendido mencionou participação de outro garoto; caso foi dado como resolvido na semana passada

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2015 | 11h37

Atualizado às 12h24.

RIO - O primeiro adolescente apreendido por policiais da Delegacia de Homicídios (DH) suspeito da morte do médico Jaime Gold, ao alegar inocência, mencionou em depoimento a possível participação do garoto de 17 anos que se entregou a polícia na última terça-feira, 2. A informação, entretanto, estaria circulando entre moradores do Jacaré, comunidade da zona norte onde os moram dois garotos que confessaram o crime, e de Manguinhos, favela vizinha também da zona norte. Mesmo sabendo da existência do terceiro suspeito, a DH havia considerado o caso como solucionado com a apreensão do segundo adolescente, de 15 anos, no dia 27 de maio.

“Ele ouviu dizer. Todos da comunidade já sabiam”, disse o advogado do adolescente de 16 anos, Alberto Oliveira Júnior. De acordo com ele, seu cliente não tinha laços de amizade com os outros dois suspeitos. Os dois últimos garotos apreendidos aparecem posando juntos em fotos na rede social Facebook. Ambos confessaram participação no roubo ao  médico, mas negam a autoria das facadas.

Neste depoimento aos investigadores da DH, o primeiro apreendido negou participação no crime que vitimou o médico. Diante de promotores do Ministério Público do Rio, permaneceu calado. A defesa insiste na inocência do rapaz. A policiais, informalmente, ele afirmou que costumava roubar bicicletas na zona sul e que utilizava facas durante as abordagens. Já os outros dois adolescentes suspeitos, o de 17 anos e o de 15, serão ouvidos no próximo dia 8 em audiência na Vara da Infância e da Juventude de Olaria, na zona norte. Os processos contra os três correrão de forma separada e sob segredo de Justiça. Todos foram denunciados por ato infracional análogo a latrocínio (roubo seguido de morte) e estão em unidades do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).

A defesa do jovem de 16 anos espera ter acesso ao depoimento do suspeito que confessou o crime na terça-feira. A intenção é usá-lo como embasamento para um pedido de habeas corpus. “Apesar de terem sido veiculadas declarações do terceiro (adolescente), elas precisam estar formalizadas”, explica Adalberto Oliveira Júnior. Segundo ele, é de interesse da defesa que ocorra a acareação entre os três meninos pedida pela Polícia Civil à Justiça na terça-feira. “Ainda não fomos intimados, mas se houver, é de nosso interesse. Uma prova ainda maior de que ele (o jovem de 16 anos) não participou do crime”, declarou.

Investigadores da Delegacia de Homicídios tentam agora identificar o motorista do ônibus que teria levado os jovens que assaltaram o médico até a Lagoa Rodrigo de Freitas. No mesmo dia em que o último adolescente se apresentou, na terça-feira, a delegada Patrícia Aguiar, responsável pelo caso, buscava câmeras de segurança que pudessem servir como provas da participação dos suspeitos. As imagens analisadas até então não revalavam com nitidez o rosto dos jovens que participaram do crime.

Tudo o que sabemos sobre:
rio de janeirojaime gold

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.