Polícia do Rio investiga esquema de fraudes no aeroporto do Galeão

Agentes constataram falta de controle no acesso ao estacionamento; funcionários podem ter ficado com o dinheiro da tarifa

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2014 | 15h26

 RIO - Por causa do aumento dos furtos no estacionamento do Aeroporto Internacional do Galeão, policiais civis da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (DAIRJ) investigam um possível esquema de fraude na execução do contrato do estacionamento do aeroporto. Os agentes constataram que não havia cancelas, seguranças, controles de entrada e saída de veículos no estacionamento. 

O software de gestão estava inoperante, exatamente onde eram prestadas contas diárias dos valores arrecadados pela companhia terceirizada à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). As investigações são referentes a um período anterior ao início da administração da concessionária RioGaleão, em agosto.

De acordo com o delegado titular da DAIRJ, Rodrigo Freitas, as fraudes ocorreram pela fragilidade do sistema de controle de entrada, saída e permanência dos veículos. Como o sistema estava inoperante, o operador de caixa tinha que preencher um formulário e anexar os tickets de entrada do veículo. Sem fiscalização da Infraero, o funcionário terceirizado poderia decidir se o apresentava ou não para consolidação das informações.

Outro problema identificado pela equipe do delegado Freitas foi na operação da tecla “ESC”. Sempre que a tecla era acionada, o registro de saída de um veículo era anulado e o operador podia se apropriar do dinheiro pago pelo cliente, como se o veículo jamais tivesse ingressado no estacionamento. Também há indícios de que funcionários vendiam tickets de estacionamentos fictícios e/ou adulterados, com diárias menores, para que o cliente com grande estadia pagasse valor menor.

Tudo, de acordo com o delegado, explica a grande quantidade de veículos estacionados no aeroporto, muito além de sua capacidade. Segundo a Infraero, no dia 30 de julho deste ano, havia 3.502 veículos parados no local que tem capacidade máxima para 2.772 veículos.

As fraudes ocorreram praticamente durante os três anos que perdurou o contrato com a empresa que não teve o nome revelado e pode ter gerado um prejuízo milionário aos cofres da União. Diante da possibilidade de envolvimento de servidores da Infraero e a lesão ao erário federal, a investigação será encaminhada a Justiça Federal.

Em agosto, a concessionária RioGaleão assumiu a administração do aeroporto e a tarifa do estacionamento passou de R$ 10 para R$ 14.

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