Polícia do Rio ocupa nove favelas na cidade

Sem troca de tiros, 800 homens participaram de megaoperação na Zona Norte e no centro

Pedro Dantas, da Sucursal do Rio

06 de fevereiro de 2011 | 16h50

 

 

RIO - Sem troca de tiros, mais de 800 homens das polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e fuzileiros navais da Marinha ocuparam, em menos de 30 minutos, 9 favelas da zona norte e no Centro do Rio, na manhã deste domingo. O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que o fundamental é a "retomada do território sem aumentar as estatísticas de bala perdida, autos de resistência e homicídios."

 

Beltrame foi evasivo ao falar sobre a ocupação da Favela da Rocinha, em São Conrado, principal fornecedora de entorpecentes para a zona sul. "O que podemos dizer é que a Rocinha está no nosso planejamento", disse.

 

Pela primeira vez, o secretário afirmou que o modelo de ocupações de favelas do Rio pode ser levado para outros Estados. "Tenho certeza que, daqui, nós podemos levar essas ações para outros Estados e, quem sabe, diminuir índices de criminalidade em todo o País", declarou. A ocupação estava prevista para janeiro, mas foi adiada por causa do socorro às vítimas das chuvas na região serrana.

 

Nenhum traficante foi preso durante a operação. Segundo Beltrame, os fugitivos que viviam nos morros da região serão procurados em outras comunidades. "Nos comprometemos a seguir no encalço deles, como temos feito. Não vamos entrar de forma atabalhoada em qualquer lugar porque fulano está lá. Temos compromisso com vidas humanas", disse o secretário.

 

A ocupação foi anunciada pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, depois que, no dia 24 de janeiro, traficantes metralharam as vidraças das fachada da Prefeitura do Rio e quase derrubaram o helicóptero da TV Globo, em represália a uma incursão da Polícia Civil.

 

Além do São Carlos, foram ocupadas as favelas do Querosene, Zinco e Mineira, no Estácio, e os morros da Coroa, Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Escondidinho, em Santa Teresa. A Secretaria de Segurança Pública estima que 26 mil pessoas moram nestas comunidades e mais de 500 mil habitam os 17 bairros no entorno destes morros. A ação começou ontem, por volta das 6 horas.Homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) embarcados nas carros blindados da Marinha não encontraram dificuldades para chegar aos pontos mais altos dos morros ocupados.

 

Poucas barricadas do tráfico foram encontradas pelo caminho. Em um dos poucos incidentes, no Morro do São Carlos, um blindado da Marinha esmagou o Passat, ano 1982 do eletricista Sebastião da Silva Machado. "O carro estava na calçada. Foi barbeiragem. Gastei R$ 1.300 na reforma do veículo", lamentou o dono do carro. A Comunicação Social da Marinha informou que as reclamações devem ser feitas às polícias Civil e Militar, pois atuou apenas no apoio logístico da operação. À tarde, a Marinha iniciou a retirada dos blindados.

 

Nos morros dos Prazeres e da Mineira, policiais e militares encontraram pichações do tráfico com ofensas à UPP. Na localidade conhecida como Chuveirinho, no Morro da Mineira, além de xingamentos, os traficantes escreveram "Vamos voltar. Assinado Bonde do Coelho". Eles se referem ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico na favela e um dos principais abastecedores de maconha e cocaína da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). A maioria dos moradores adotou o silêncio. Alguns comentavam que "a polícia não iria encontrar ninguém, porque todos foram para a Rocinha".

 

Três menores com mandados de busca foram apreendidos. Nenhum fuzil foi encontrado até o fechamento desta edição. No cerco montado pela PRF, na Ponte Rio-Niterói e em rodovias, nenhum traficante foi preso. No bairro turístico de Santa Teresa, o movimento nos restaurantes e ateliês foi fraco. Alguns comerciantes culpavam o forte calor e outros achavam que a operação afugentou os visitantes. "Desde sábado, o meu faturamento caiu pela metade. Espero que na próxima semana as pessoas voltem para constatar que o bairro está seguro", disse a comerciante Lis Rudge, do restaurante Jasmin Manga.

 

 

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