Polícia do Rio prende 19 suspeitos de praticar atos de violência

Operação Firewall, da Polícia Civil do Rio, foi às ruas cumprir 26 mandados de prisão e dois de busca e apreensão

Roberta Pennafort, Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2014 | 20h56

RIO - Na véspera da final da Copa do Mundo, no Maracanã, 19 pessoas foram presas em casa ontem no Rio, sob suspeita de terem cometido atos de violência durante os protestos de rua na cidade. Eles foram autuados por formação de quadrilha armada, após investigação com escutas telefônicas. A Operação Firewall, da Polícia Civil do Rio, foi às ruas cumprir 26 mandados de prisão e dois de busca e apreensão, envolvendo 25 delegados e 80 agentes, no Rio, em Búzios (RJ) e Porto Alegre (RS).

Além dos 19 presos, dois adolescentes também foram apreendidos e nove pessoas com prisão pedida estão foragidas. Nas casas dos acusados, foram recolhidos armas de choque (não letais), computadores, celulares, explosivos, gasolina, sinalizadores e máscaras usadas em manifestações para proteção do rosto contra gás lacrimogêneo, segundo a polícia. Os mandados foram expedidos pela 27ª Vara Criminal, que determinou a prisão temporária por cinco dias.

Em entrevista coletiva ontem, o chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Fernando Veloso, afirmou que os acusados pretendiam praticar atos violentos entre ontem e hoje. “Com essas prisões, a polícia pode ter conseguido evitar atos violentos que essa quadrilha planejava para amanhã (hoje)”, disse.

Estão marcados para hoje quatro protestos, um perto do Maracanã e três na Tijuca, bairro vizinho ao estádio. Em 11 de junho, véspera da abertura da Copa, a polícia, munida de mandados de busca e apreensão, também havia convocado dez pessoas a depor e tiveram celulares e computadores apreendidos. A ação foi da mesma Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que comandou a operação de ontem.

A ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, está entre os presos, além de advogados e professores que participaram de atos nas ruas. Sininho foi localizada na capital gaúcha e chegaria ao Rio às 19 horas de ontem. Entre os 19 presos, Eronaldo Araújo da Fonseca foi autuado em flagrante, com uma arma e munições, e Sarah Borges Galvão de Souza, com drogas.

Segundo o chefe de Polícia Civil e o delegado Alessandro Thiers, responsável pela DRCI, as investigações começaram em setembro do ano passado, pouco após o início das manifestações de rua, em junho. As prisões foram feitas ontem porque os mandados saíram anteontem, informaram os delegados.

“Essas pessoas não estão lá (nos protestos) para se manifestar, e sim para tumultuar e praticar atos de violência”, afirmou Thiers. Segundo o delegado, as investigações continuam.

Ontem, a defesa dos acusados ainda estudava quando os pedidos de habeas corpus seriam entregues ao Tribunal de Justiça. De acordo com Marino D’Icarahy, advogado de alguns dos presos, entre eles a ativista Sininho, o pedido poderia ser feito em conjunto, via Defensoria Pública, mas poderia ficar para hoje.

As prisões foram repudiadas pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e pelas ONGs Justiça Global e Anistia Internacional. O presidente da comissão, Marcelo Chalreo, tachou as prisões de “fascistas”. “São prisões absolutamente arbitrárias, baseadas em argumentos pífios, ridículos”, afirmou.

O diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, Átila Roque, viu na ação da polícia “um risco para a democracia”. A Justiça Global considerou que as prisões têm “o propósito único de neutralizar, reprimir e amedrontar aqueles e aquelas que tem feito da presença na rua uma das suas formas de expressão e luta por justiça social”, segundo nota publicada em seu site.

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