Márcio Mercante/O Dia
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Polícia do Rio tenta rastrear origem de fuzis apreendidos

Investigadores usam até produtos químicos para recuperar numeração do arsenal; Estado pretende utilizar os armamentos

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 23h18

RIO - A Polícia Civil do Rio está recorrendo a exames químicos para tentar identificar a origem dos 60 fuzis apreendidos nesta quinta-feira, 1, no Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio. O objetivo é recuperar os números de série das armas, raspados pelos contrabandistas que introduzi-las no Brasil. O resultado do procedimento não era conhecido até o fim da tarde desta sexta.

A identificação é necessária para a investigação, porque a  partir do número de série é possível consultar o fabricante e identificar o primeiro comprador; e para que as armas possam ser legalmente usadas pela Polícia Civil. A corporação fará essa solicitação à Justiça, caso a numeração seja recuperada.

Os fuzis (45 AK-47, 14 AR-10 e 1 G-3) foram apreendidos na tarde de quinta-feira (1) no Terminal de Cargas do aeroporto. Foi a maior apreensão desse tipo de arma realizada no Rio pelo menos nos últimos dez anos. 

Quatro pessoas foram presas preventivamente por suposto envolvimento no caso. São eles: 

o despachante Márcio Pereira, responsável pelos trâmites de liberação da mercadoria no aeroporto, preso em sua casa, em Jacarepaguá (zona oeste); Luciano de Andrade Faria, dono de uma transportadora e responsável por levar as armas do aeroporto até um galpão; João Vítor da Silva Rosa e José Carlos dos Santos Lins, cujas funções eram revender as armas e entregá-las aos compradores.

João Vitor mora em São Gonçalo (Baixada Fluminense) e foi preso em  uma academia de ginástica daquela cidade. Acusados de tráfico internacional de armas, todos  estarão sujeitos a penas de 4 a 8 anos de prisão, caso sejam condenados. Conforme os investigadores, a quadrilha atendia todas as facções criminosas. O Estado não conseguiu localizar seus advogados.

Segundo a Polícia Civil, responsável pela apreensão, as armas foram compradas legalmente nos Estados Unidos e enviadas ao Rio por um brasileiro dono de uma empresa regular de exportação e importação. Esse suspeito é procurado pela polícia norte-americana.

Cada fuzil custou de 1.800 a 2.500 dólares (de R$ 5.850 a R$ 8.125) e seria revendido por até R$ 70 mil, provavelmente a traficantes. As armas chegaram ao Rio escondidas no interior falso de aquecedores de piscina. Dentro de cada aparelho havia oito armas. Outro aquecedor escondia 980 projéteis de munição 762, usados nos fuzis AR-10.

Embora as armas sejam novas, a Polícia do Rio ainda não sabe se elas foram compradas diretamente da fábrica ou de um terceiro. Os investigadores acreditam que, se identificarem o número de série dos fuzis, conseguirão rastrear seus proprietários e identificar o elo com a quadrilha.

 

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