Polícia do Rio vai indiciar 26 por manifestações de rua

Elas são acusadas de cometer atos violentos em protestos. Cinco estão presas e 9, foragidas. Também será pedida prisão preventiva

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2014 | 21h35

RIO - A polícia do Rio vai indiciar por formação de quadrilha 26 pessoas que participaram de manifestações de rua e pedir a prisão preventiva. Elas são acusadas de cometer atos violentos durante os protestos. Cinco estão presas temporariamente no Complexo Prisional de Bangu, 12 foram liberadas na madrugada desta quinta-feira, 17, graças a habeas corpus, e 9 estão foragidas. 

Nesta quinta-feira, dois adolescentes que também teriam envolvimento em atos violentos durante manifestações foram conduzidos, com os pais, à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), e depois liberados. Outros dois menores foram apreendidos no sábado. 

As investigações são da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) e vêm de setembro do ano passado. O inquérito será encaminhado nesta sexta ao Ministério Público. 

Os mandados de prisão para as 26 pessoas foram expedidos pela 27ª Vara Criminal na sexta-feira passada, antevéspera da final da Copa do Mundo no Maracanã. O chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que a medida ia prevenir confusões durante a partida. 

O grupo, mantido em Bangu em separado dos demais detentos, ficaria cinco dias preso, mas na quarta-feira o período foi ampliado pela Justiça para mais cinco dias. A extensão valeu para os cinco manifestantes que não haviam sido liberados pelo habeas corpus assinado juiz Siro Darlan, da 7.ª Câmara Criminal, para quem as prisões foram ilegais. 

Marcelo Chalréo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio, as considerou “fascistas” e criticou a polícia de dificultar o trabalho dos advogados de defesa, que, segundo ele, não estão tendo acesso às informações sobre as acusações. 

“Não há elementos para indiciamento, é um verdadeiro despautério. O inquérito tem viés ideológico. O governo quer que essas pessoas sirvam de exemplo para as outras, para coibir o direito de manifestação e de expressão. É uma ação orquestrada do governo federal com os estados do Rio, de São Paulo e de Minas Gerais”, afirmou.

Para a Anistia Internacional, as prisões fazem parte de uma “estratégia da intimidação, claramente oposta ao estado de direito democrático e à garantia da livre manifestação.” 

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