Oli Scarff/AFP
Oli Scarff/AFP

Polícia faz buscas contra suspeitos de furar fila em vacinação no Rio

Segundo denúncia, diretores da Organização Social (OS) Instituto Sócrates Guanaes e do Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, teriam beneficiado familiares com imunizantes contra o coronavírus

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2021 | 11h26

RIO - A polícia civil do Rio realiza operação nesta segunda-feira, 22, para cumprir mandados de busca e apreensão contra dois diretores da Organização Social (OS) Instituto Sócrates Guanaes e do Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, que é administrado pela OS. O motivo é apurar denúncia de "fura-fila" na vacinação contra a covid-19, que teria beneficiado familiares.

Ação acontece tanto na residência dos acusados quanto no hospital gerido por eles. A intenção dos agentes é apreender documentos e outras provas que comprovem a prática. A investigação, que está a cargo da Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD), começou a partir de uma denúncia do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren/RJ). A entidade informou que dois filhos de diretores, de 16 e 20 anos, foram vacinados mesmo não pertencendo à lista prioritária.

Segundo a polícia, na semana passada foram realizadas diligências no hospital e encontradas "diversas rasuras e vulnerabilidades na lista de vacinados". Entre os nomes apareceu o do filho de um diretor do hospital, de 16 anos, que estava registrado como "acadêmico de medicina".

A partir dos indícios, a polícia solicitou mandado de busca e apreensão das listas de vacinados e listagem de estagiários, acadêmicos, internos e residentes da unidade para confrontar com os nomes dos vacinados.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informa que está colaborando com as investigações da Polícia Civil para que todos os fatos sejam apurados de forma rigorosa e transparente. A SES não compactua com atitudes como esta e, embora seja uma ação isolada, está reforçando entre suas equipes o irrestrito cumprimento de Notas Técnicas já publicadas pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

A SES esclarece que o diretor técnico e a coordenadora de desospitalização do Hospital Estadual Azevedo Lima são funcionários da Organização Social Instituto Sócrates Guanaes (ISG). Eles foram afastados de suas atividades para ampla investigação interna da denúncia. 

A Secretaria reforça que preza pela transparência e correção nas ações de saúde pública. Todas as irregularidades apuradas serão encaminhadas à Polícia Civil e aos órgãos de controle.

Leia a nota do Instituto Sócrates Guanaes:

"O Instituto Sócrates Guanaes (ISG) atualmente é gestor de nove unidades assistenciais no Brasil, nos estados de Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. Todas as unidades receberam doses da vacina para imunização dos colaboradores, seguindo à risca as determinações do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais e Municipais. Fomos surpreendidos pelas denúncias referentes ao Hospital Estadual Azevedo Lima relativas à iniciativa isolada de um dos diretores desta unidade. O diretor envolvido no caso já foi afastado para ampla investigação interna da denúncia nos termos do Código de Conduta Ética e Política de conformidade do ISG. A entidade não compactua e não admite nenhum desvio de conduta de seus colaboradores e todas as medidas  serão tomadas para apuração dos fatos e punição dos envolvidos.

 

O Instituto está à disposição de todos os órgãos competentes para qualquer esclarecimento necessário.

O ISG é uma organização não governamental, com 21 anos de existência, sempre promovendo saúde digna, eficiente e transparente na missão de cuidar e salvar vidas."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.