Polícia faz operação na Rocinha e traficantes contra-atacam

Refinaria de cocaína é encontrada e polícia apreende drogas e veículos; homem é preso após tiroteio

Pedro Dantas, do Estadão,

30 Agosto 2007 | 10h44

Uma operação da Polícia Civil com 210 agentes estourou nesta quinta-feira, 30, um laboratório clandestino para refino de cocaína na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio. De acordo com diretor do Departamento de Delegacias Especializadas, Allan Turnovsky, esta foi a primeira vez que um local para refino da droga foi encontrado dentro de uma favela carioca.   A estimativa dos policiais é que os traficantes podiam produzir, a partir da pasta de cocaína, meia tonelada da droga por mês. Considerada a principal distribuidora do Estado, a Rocinha distribuía o entorpecente para o consumo e venda em outras 13 favelas da Região Metropolitana.   "Foi uma forma de aferir um lucro maior já que um quilo da pasta de coca era transformado em até quatro quilos de cocaína misturada com fermento e bicarbonato de sódio", disse o delegado-titular da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos, Carlos Alberto Oliveira, que investiga o refino de cocaína na favela. Segundo ele, o laboratório poderia produzir até 250 quilos de cocaína em dez dias.   O laboratório foi descoberto após a prisão de Leonardo Assunção, o Português ou Schumacher, de 27 anos, que levou os policiais até o laboratório, que funcionava no segundo andar de uma casa alugada na Travessa Corajosa, na localidade da favela conhecida como Cachopa. Apesar do forte cheiro de produtos químicos no local, os vizinhos disseram que não sabiam que o tráfico usava a casa para refinar a droga.   Segundo o delegado, a pasta base chegava e era misturada a fermento, bicarbonato de sódio e outras substâncias e colocada para secar sob a luz de holofotes e ventiladores. Após a secagem, a droga passava por um triturador industrial e prensada. Em seguida, a droga era misturada a éter e outras substâncias, passava por nova secagem e distribuída.   Após ser preso, Assunção revelou aos policiais que há duas semanas a Rocinha distribuiu 70 quilos e esperava uma nova leva de pasta de coca para iniciar a produção do entorpecente. "A logística é simples. Logo, acreditamos que eles podem montar um outro laboratório em pouco tempo, mas foi importante a retirada deste sujeito que era considerado o 'químico' da Rocinha e que a polícia tinha notícias há um ano, mas nunca conseguiu prender", afirmou o diretor da Coordenadoria de Recursos Especiais, Rodrigo Oliveira.   A operação policial contou com agentes de sete delegacias especializadas com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Policiais usaram um carro blindado e um helicóptero. Olheiros do tráfico soltaram fogos no momento da chegada da polícia à favela, por volta das 9 horas. Uma hora depois a polícia apreendeu 50 quilos de maconha e munição para fuzil em uma casa na Rua do Valão.   Em outra casa próxima, policiais procuraram o suposto paiol de armas e drogas dos traficantes, mas encontraram apenas um buraco de dois metros. "Sabemos que eles deslocam o paiol, mas vamos voltar e encontrar este material", declarou o diretor da Core, que descartou o vazamento de informações, como ocorreu na operação policial na Rocinha no dia 2 de agosto. Ontem, apenas os delegados sabiam do local da operação antes da saída do comboio de viaturas das delegacias.   Um carro e quatro motos roubados foram recuperados. Um homem ainda não identificado foi preso. O momento mais tenso da operação, que terminou apenas ao anoitecer, foi por volta das 15h40. Agentes da Core subiram até uma das regiões mais pobres da favela acima do Túnel Zuzu Angel, conhecida como Roupa Suja, para averiguar homens que acompanhavam toda movimentação policial. Uma equipe foi atacada a tiros disparados por traficantes de outro ponto da favela e ficou encurralada. Um suspeito foi detido e a polícia acredita que um traficante ficou ferido na troca de tiros.   Matéria ampliada às 19h31

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