Polícia faz operação na Rocinha para cumprir 51 mandados de prisão

Vinte mandados de prisão foram cumpridos na favela; traficantes soltaram fogos para avisar comparsas do início da ação

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 08h44

Atualizado às 15h45

Uma operação policial que mobilizou cerca de 120 agentes da Polícia Civil do Rio terminou com a prisão de seis supostos traficantes na favela da Rocinha, na zona sul do Rio, ontem de manhã. Intensos tiroteios assustaram os moradores e deixaram 1.044 alunos de duas escolas municipais sem aulas. Um helicóptero da PM chegou a ser atingido - o aparelho teve uma hélice danificada, mas pode pousar sem problemas e será submetido a manutenção. Ninguém se feriu.

A operação foi organizada para tentar cumprir 51 mandados de prisão. Catorze dessas pessoas já estavam presas por outros crimes ou em ações anteriores. Outras seis foram presas ontem, e 31 pessoas continuavam foragidas até a noite de ontem.

Entre os seis presos ontem está um cadeirante: Nei Max Santos Félix, conhecido como Negão, acusado de ser o gerente do tráfico na favela. Segundo a polícia, ele se locomovia de mototáxi, cumprindo ordens de Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, preso em abril. Morador da Rocinha, Nei não tinha ficha criminal.

Mudanças pós-UPP. Por causa da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em setembro de 2012, o tráfico na Rocinha mudou a forma de atuar: passou a ser descentralizado e a agir em “células criminosas autônomas”, ligadas à facção criminosa Amigo Dos Amigos. Os traficantes começaram a vender drogas no asfalto, com entregas em domicílio, e estenderam sua atuação para a Cruzada São Sebastião, um conjunto habitacional popular no Leblon.

"O tráfico tentava se adaptar a uma comunidade pacificada. A Rocinha deixou de ser uma grande fornecedora e distribuidora de drogas e passou a vender no varejo", afirmou o delegado-titular Gabriel Ferrando. Pela nova organização, o Morro da Pedreira, em Costa Barros (zona norte), que é comandado pela mesma facção, passou a ser o principal

fornecedor de drogas da Rocinha. Na Rocinha, os policiais não identificaram depósitos nem refinarias de drogas de grande porte. Os locais de endolação e as bocas de fumo passaram a ser móveis para dificultar a identificação pela polícia.

Entre os 31 mandados de prisão pendentes estão os de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, e Jailson Barbosa Marinho, o Jabá ou JB, apontados como chefes do tráfico da Rocinha. Eles dividiam o poder com Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, preso em abril. "O tráfico está enfraquecido. Nossa investigação, com o cumprimento dos mandados, é

fundamental para o avanço da pacificação", disse o delegado.

No Facebook, moradores da Rocinha fizeram relatos sobre os tiroteios que começaram às 5h30. Segundo o delegado, essa é uma técnica de guerrilha dos traficantes. "Eles atiram para o alto e lançam morteiros a esmo, em locais isolados para ampliar a sensação de conflito".

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