TV Estadão | 07.07.2015
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Polícia faz operação na Uruguaiana contra produtos piratas

Ação em polo de comércio popular do centro do Rio vai durar quatro dias; há indícios de envolvimento de milicianos no camelódromo

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 09h46

Atualizado às 12h35

RIO - Centenas de produtos pirateados de grandes marcas internacionais foram apreendidos nesta terça-feira, 7, em ação da Delegacia de Repressão a Crimes de Propriedade Imaterial (DRCPIM) no camelódromo da Rua Uruguaiana, polo de comércio popular do centro do Rio de Janeiro. Além da venda de mercadorias falsificadas e contrabandeadas, há informes sobre o envolvimento de milicianos nas atividades do camelódromo.

Segundo a delegada titular da unidade, Valéria Aragão, os milicianos fazem a segurança do camelódromo de forma ilegal. "Há 20 anos esse camelódromo funciona na total informalidade, numa cadeia criminosa que envolve corrupção, contrabando e evasão de divisas", disse.

A investigação também identificou que há pessoas que são donas de até 20 espaços, embora a legislação municipal permita o cadastro de apenas um box por cadastro de pessoas físicas (CPF).

"Os comerciantes irregulares usam laranjas e alugam os boxes por valores que chegam a R$ 20 mil", afirmou a delegada.

Roupas esportivas, tênis e bonés, além de artigos eletrônicos e acessórios para celulares, estão entre as mercadorias apreendidas nesta terça-feira. Nenhum dos 1.100 boxes das quadras C e D do camelódromo poderá funcionar até sexta-feira enquanto a operação estiver em andamento. Participam da ação cerca de 100 policiais civis, 20 oficiais de Justiça e 15 advogados.

Um mapeamento prévio realizado pela polícia em parceria com advogados das marcas pirateadas identificou que ao menos 220 boxes vendem artigos falsificados.

"É a velha máxima popular do barato que sai caro. São produtos sem qualidade, sem garantia e sem durabilidade", ressaltou Valéria Aragão. Os produtos pirateados apreendidos serão recolhidos em caminhões e depois destruídos.

A presidente da  Associação de Comerciantes da Rua Uruguaiana, Rosalice Rodrigues Oliveira, nega que haja atuação de milicianos e laranjas no camelódromo. "A associação tem 16 funcionários de apoio operacional, mas não são seguranças. Aqui tem muita gente correta que não trabalha com produtos ilícitos", disse.

Durante toda a manhã desta terça-feira, dezenas de comerciantes se aglomeravam do lado de fora da faixa de isolamento demarcada pelos policiais. Até a saída da Estação Uruguaiana foi fechada por causa da operação - passageiros devem desembarcar nos acessos da Avenida Presidente Vargas ou da Rua Senhor dos Passos.

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