Polícia faz operação para prender milícia Liga da Justiça no Rio

Grupo é considerado o maior e mais violento da zona oeste; objetivo é cumprir 27 mandados de prisão e 90 de busca e apreensão

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 09h40

Atualizada às 16h03

RIO - Vinte e uma pessoas foram presas na Operação Tentáculos, desencadeada na manhã desta quinta-feira, 7, pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). O objetivo é desarticular a milícia conhecida como Liga da Justiça, maior e mais violenta organização criminosa que atua na zona oeste do Rio. Desse total, 13 atuam ou atuavam nas forças de segurança pública (policias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, secretaria de Administração Penitenciária e Exército).

A Liga da Justiça atuava em seis condomínios do Conjunto Ferrara, que integra o programa Minha Casa, Minha Vida em Campo Grande, na zona oeste. Lá viviam cerca de 5 mil pessoas em 1.600 apartamentos. Além de cobrarem taxas de segurança e luz, taxa para fornecimento de "gatonet" (central clandestina de TV a cabo) e internet, os milicianos obrigavam os moradores a comprarem gás e cestas básicas pelo triplo do valor original. Os condôminos que ficavam inadimplentes eram expulsos de suas casas. Aqueles que questionavam os comandos da Liga da Justiça poderiam ser torturados ou mortos.

Com as casas vazias, os milicianos aproveitavam para alugar ou "vender" os imóveis (os valores variam de R$ 15 mil a R$ 40 mil por unidade) para outras famílias de baixa renda, além das taxas ilegais. "O modus operandi (da milícia) é a instalação de um reinado de terror sob o qual viviam essas populações subjugadas", explicou o promotor Marcos Leite.

Articulação. Contabilizando todas as operações na zona oeste, a quadrilha faturava R$ 1 milhão por mês na região. As investigações apontam que desde a prisão em julho de 2013 do ex-PM Toni Ângelo Souza de Aguiar, conhecido como Erótico, a quadrilha passou a ser liderada por Marco José de Lima Gomes, o Gão, (preso nessa terça-feira,5, pela Divisão de Homicídios da Capital) e João Henrique Barreto, preso nesta quinta-feira. Desde 2007, mais de 800 integrantes da milícia já foram presos no Rio.

"Temos notícias que o Toni Ângelo, apesar de encarcerado, mantinha reiteradamente consolidada troca de informações com Gão e Cachorrão", disse o delgado titular da Draco, Alexandre Capote. "Essa operação deixou o grupo acéfalo, eles ainda demorarão para se reorganizar", completou.

Ao todo serão cumpridos 27 mandados de prisão e 90 de busca e apreensão ao longo do dia. Trezentos e cinquenta policiais ainda estão em diligência para cumprir os mandados restantes. Pela manhã, os policiais apreenderam armas e munições, além de documentos que comprovam a movimentação e as atividades ilícitas da quadrilha e veículos de luxo.

"Com a Operação Tentáculos, grande parte da quadrilha foi desarticulada, o Estado de exceção (na região) foi debelado e o Estado de normalidade, retomado", resumiu o delegado substituto da Draco, Luiz Augusto Braga.

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