Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Polícia investiga morte de menina de 2 anos em hospital de Macaé

Criança estava internada para investigar febre alta quando, segundo a família, sofreu uma broncoaspiração e os médicos não perceberam o problema

O Esatdo de S. Paulo

02 Fevereiro 2017 | 16h39

RIO - A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de Ana Paula Aguiar Freesz, de 2 anos, em Macaé, no norte fluminense. A menina estava internada no São Lucas Hospital de Clínica, para investigar febre alta. Ela sofreu uma broncoaspiração e, de acordo com a família, os médicos não perceberam o problema. A criança sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu na madrugada de sábado, 28.

"Minha filha morreu afogada em 300 ml de leite", afirmou o pai da menina, Paulo Peter Freesz, de 42 anos. O corpo da menina será exumado na tarde desta quinta-feira, 02.

Paulinha, como era chamada pelos pais, foi internada na quinta-feira, 26, com febre. Os exames de sangue e urina não revelaram infecção, informa a família. Na noite de sexta-feira, ela tomou uma mamadeira. Pouco tempo depois, ficou trêmula, não conseguia sustentar o corpo, e tinha a respiração pesada. "Eu chamei a médica e ela disse que a Paulinha estava assim porque tinha ficado no soro, que devia ser fraqueza. Logo depois, ela começou a ter convulsões", contou a mãe da menina, Maria de Jesus Aguiar Freesz, de 35 anos.

Os enfermeiros chegaram a levar um aparelho de raio-x para examinar a criança, mas não havia tomada adequada na enfermaria e o exame não foi feito. Em seguida, os médicos decidiram levar a criança para a tomografia. Desesperada, Maria de Jesus não esperou o maqueiro e correu pelo hospital com a filha nos braços. No tomógrafo, Paulinha sofreu as paradas cardiorrespiratórias. Somente quando foram fazer a manobra para entubar a menina, os médicos descobriram que ela tinha os pulmões cheios de líquido. 

Depois da segunda parada cardíaca, os médicos tentaram reanimar a menina durante 2h40. "O médico disse que tirou 300 ml dos pulmões do que parecia ser leite ou iogurte, mas que não havia mais nada que eles pudessem fazer. Eles atuaram imaginando que ela tinha algum problema neurológico, tentaram raio x, levaram para a tomografia. Em nenhum momento auscultaram a minha filha, um procedimento básico que permitiria identificar a broncoaspiração", afirmou Freesz.

De acordo com Freesz, enquanto os médicos tentavam reanimar a criança, um paciente que também era atendido na emergência ouviu quando enfermeiros disseram que não havia aspirador no hospital. O equipamento seria usado para retirar o líquido do pulmão de Ana Paula.

Ainda abalada pela perda repentina, a família providenciou o enterro da criança, no Cemitério do Âncora, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde a família vive, no domingo 29. Freesz, no entanto, decidiu registrar queixa na polícia e processar o hospital. "Espero que isso não volte a ocorrer. Nenhuma família merece passar pela dor que estamos sentindo", declarou.

O delegado Filipi Poeys Lima, titular da 123º Delegacia de Polícia (Macaé), pediu a exumação do corpo da criança. Peritos da Polícia Civil seguiram na tarde desta quinta-feira para Rio das Ostras, a fim de exumar o corpo da criança, que será encaminhado para necropsia. A partir do resultado do laudo, médicos e testemunhas serão ouvidos pelo delegado. 

Procurados por telefone e por e-mail pelo Estado, os responsáveis pelo São Lucas não haviam se pronunciado até as 16h30 desta quinta-feira. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.