Polícia investiga se seguro de vida motivou morte de delegada

O estudante de Direito Alessandro Oliveira Furtado confessou nesta sexta-feira ter feito 'uma besteira' ao matar a mulher

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2014 | 15h59

RIO - Viúvo da delegada assistente Tatiene Damaris Sobrinho Damasceno Furtado, o estudante de Direito Alessandro Oliveira Furtado, de 39 anos, confessou ter feito "uma besteira" ao matar a mulher nesta quinta-feira, 23. Ele foi preso em flagrante logo depois de prestar depoimento na Divisão de Homicídios da Capital (DH).

O casal estava junto há 5 anos. O delegado titular Rivaldo Barbosa investiga a versão de Alessandro de que houve um desentendimento para a assinatura dos papéis do divórcio. Outra hipótese está ligada ao seguro de vida que a delegada fez há 15 dias em que os filhos - um adolescente de 17 anos e uma menina de 3 anos - são os beneficiários.

Para o delegado, o crime foi premeditado já que Alessandro usou luvas para mudar a cena do crime. "Ainda é muito cedo para dizer que realmente o crime foi motivado pelo seguro, mas é uma linha de investigação. Encontramos os papéis do divórcio na casa, mas não sabemos se eles estavam ali há mais tempo", afirmou Rivaldo.

Inicialmente, a polícia foi chamada por Alessandro que disse ter encontrado Tatiene morta na cozinha de casa, em Realengo, na zona oeste do Rio. Durante depoimento na DH, no entanto, ele entrou em contradição: primeiro sugeriu que o crime teria sido cometido por milicianos, depois que poderia ter sido um latrocínio (roubo seguido de morte) já que a porta da casa teria sido arrombada. Não havia, porém, sinais de arrombamento na casa.

"Ele disse: Doutor, fiz uma besteira", contou o delegado. Na cozinha, o corpo estava cheio de hematomas e sem marcas de tiros ou facadas o que indica que ela lutou para se defender.

"Alessandro não tinha percepção de tristeza (mas parecia) assustado com tudo que estava acontecendo. Ele saiu às 9h e foi para a faculdade como se nada tivesse acontecido. Foi um ato covarde, cruel, sem o menor escrúpulo", diz.

Pela versão do estudante de Direito, ele apresentou os documentos da separação para Tatiene que teria se recusado a assiná-los e apontado uma arma para o marido. Houve luta corporal, a delegada caiu no chão e Alessandro disse que colocou um braço no pescoço dela em uma tentativa de desarmá-la com o outro.

Laudo preliminar aponta que a mulher morreu asfixiada - segundo o delegado Rivaldo Barbosa, ela foi enforcada com uma gravata. Havia um travesseiro perto do corpo e Alessandro contou ao delegado que deu choques no corpo da mulher para tentar reanimá-la.

Tatiane teria sido assassinada entre 4h e 9h. Às 6h, Alessandro entregou a filha ao transporte escolar e seguiu para a faculdade. "Na faculdade apuramos que foi a aula mais participativa que ele teve na vida", disse o delegado. A polícia só foi acionada às 12h30.

Os policiais chegaram a interrogar uma amante de Alessandro, mas o envolvimento dela com o crime foi descartado. O estudante de Direito tem um histórico de violência contra mulheres de outros relacionamentos. Em seu primeiro casamento ele também não trabalhava, era sustentado pela mulher.

Pela morte de Tatiene, Alessandro será indiciado por homicídio qualificado por asfixia e pode ser condenado a até 30 anos de prisão.

Os delegados buscam testemunhas e câmeras de segurança que possam ajudar nas investigações. 

Tatiene estava lotada na 36ª Delegacia de Polícia (Santa Cruz) desde agosto. Antes, já tinha passado pela 34ª DP (Bangu) e pela 35ª DP (Campo Grande) e tinha recebido ameaças de milicianos que dominam as áreas.

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