Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Polícia nega falha, mas reforça segurança onde ciclista foi atacado

Segundo moradores e funcionários de posto de gasolina próximo ao local do crime, ataque ocorreu durante troca de turno de policiais

Antonio Pita e Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2015 | 14h58

RIO - A Polícia Militar do Rio negou nesta quarta-feira, 20, falhas no patrulhamento da orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade, onde o cardiologista Jaime Gold, de 57 anos, foi esfaqueado na noite de terça-feira. O médico morreu nesta quarta. Segundo moradores e funcionários de um posto de gasolina próximo, a agressão ocorreu durante a troca de turno de policiais que ficam baseados em frente ao local do crime. 

O comandante do 23.° Batalhão da Polícia Militar, coronel Joseli Cândido da Silva, foi ao local para anunciar reforço no policiamento em entrevista ao vivo para emissoras de TV, mas depois afirmou não considerar que houve falha no dia anterior. "Não atribuo a falhas na troca de turno. O patrulhamento na Lagoa é móvel, para garantir o maior perímetro possível. Os policiais que costumam ficar aqui poderiam estar em outro ponto. Você acha que é relevante pegar o GPS da viatura?"

Assim como já havia ocorrido no centro após a repercussão de um assalto que resultou em esfaqueamento, a Lagoa também receberá policiamento a cavalo, anunciou a PM. "Novas medidas de policiamento serão adotadas a partir de hoje (quarta-feira, 20) para que ocorrências como essa não se repitam, com uso da cavalaria e ações de abordagem a ônibus e pedestres", disse o coronel. "Tenho certeza de que ocorrências como essa não vão se repetir."

Silva havia assumido na véspera o comando do 23.º BPM, responsável pela área da Lagoa. Sobre o uso de cavalos, o coronel argumentou que "o policial tem visibilidade maior e de cima, podendo cobrir uma área maior do que a pé".

'Lamentável'. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, classificou como "lamentável" a morte de Gold. "Sofro a cada morte, é um pedaço da gente que vai embora", disse.

Para o governador, "só a polícia não adianta" para reduzir a criminalidade em alta na cidade. Ele acredita que seja preciso rediscutir "o papel da polícia" e a legislação do País. 

Uma reunião está prevista para esta tarde entre Pezão e a cúpula da segurança no Estado. O policiamento na Lagoa já foi reforçado, segundo o governador. Pezão ainda criticou a atuação de desembargadores na concessão de liminares a favor dos suspeitos. "Infelizmente, desembargador está aí dando liminar e soltando todo mundo", apontou. 

"Se é para cumprir essa lei que está aí, temos que discutir o papel da polícia. Ela tem feito seu trabalho. Quando roubam uma bicicleta, um cordão, um telefone celular, quando se usa faca - não são crimes de grande monta, que faça com que a pessoa fique presa. Policial entra com a pessoa por uma porta da delegacia, ela sai pela outra", afirmou o governador.

Pezão ainda lembrou que as estatísticas da segurança no Estado indicam um aumento de 60% de prisões de menores em abril - considerado o melhor resultado para o mês em todos os levantamentos. "Temos prendido como nunca se prendeu, batendo recordes, e a gente ainda tem muito a se fazer. Só a polícia não adianta, não está adiantando. A policia está fazendo seu trabalho de prender, no outro dia, a Justiça solta", reforçou.

O governador ainda frisou que há reforço "permanente" no policiamento e que "monitoramento sistemático". A prefeitura também disponibilizou efetivo de guardas municipais para patrulhar a Lagoa. Pezão também ponderou que "a mancha criminal se deslocou da Lapa para outros locais" e que está estudando "novas operações" em outras regiões, como o Meier. 

Ainda assim, ele reiterou que não acredita que apenas o reforço do policiamento seja suficiente.  "Esse caso mostra que  a gente tem que cada vez mais reforçar policiamento e fazer parcerias.  A gente tem que ver o que a gente quer, um grande chamamento para a sociedade", completou. " É lamentável. Sofro a cada morte. A cada bala perdida é um pedaço da gente que vai embora", disse Pezão. 

Uma poça com sangue do médico permanecia no canteiro de terra ao lado da ciclovia na tarde desta quarta-feira, 20. 

Na mureta da orla da Lagoa em frente ao local do crime foi fixado cartaz de papelão com a inscrição "Eu não mereço ser esfaqueado! Luto".

Comerciante, o ciclista Antônio Camilo, de 59 anos, disse que ouviu relatos de outra tentativa de assalto na ciclovia perto dali, na Fonte da Saudade, no mesmo dia em que Jaime Gold foi atacado.

Vendedor de coco há 23 anos em um ponto próximo, Luciano dos Santos disse que os relatos de assalto na ciclovia haviam diminuído desde os dois últimos casos de esfaqueamento na região, no fim de abril.

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