Polícia pede prisão de PMs acusados de receber suborno

Eles deveriam estar numa base em Ipanema, mas se deslocaram até Copacabana

Fabiana Cimieri, do Estadão,

26 Julho 2007 | 22h02

A polícia pediu a prisão preventiva dos dois policiais militares, acusados de roubar cerca de R$ 3.000 de dois policiais americanos em férias no Rio, na madrugada de quarta, em Copacabana, na zona sul. Os soldados do 23º Batalhão de Polícia Militar, Anderson de Souza Trindade e Ulisses Peixoto Costa, foram reconhecidos por uma das vítimas na madrugada e estão sob prisão administrativa por 72 horas, que se encerram nesta quinta-feira.   Os PMs estavam fora da sua área de cobertura. Eles deveriam estar numa base em Ipanema, mas se deslocaram até Copacabana, bairro vizinho, mas que já pertence à circunscrição do 19ª Batalhão. O reconhecimento foi possível porque o sistema de rastreamento de veículos por satélites descobriu que o carro havia a sua área de policiamento.   Por volta das 3h de quarta-feira, quatro americanos, - dois deles membros da Polícia de São Francisco, na Califórnia, voltavam de táxi de uma boate, quando foram abordados pelos policiais. Um dos americanos estava com um canivete e os policiais exigiram propina para deixá-lo partir.   Dois americanos e o taxista foram liberados. Os outros dois, que eram os policiais, foram obrigados a entrar no carro da PM, que teria ficado dando voltas por cerca de meia hora, segundo a versão dos turistas. Os policiais pararam em frente ao local onde os turistas estavam hospedados. Um americano subiu para buscar o dinheiro no quarto, enquanto o que ficou no carro relatou ter recebido ameaças de morte, caso o amigo não voltasse com a propina.   Os americanos disseram ter entregue US$ 1.100, R$ 800 e um aparelho de mp3 para os PMs. Esses valores ainda não foram recuperados pela polícia. "A versão dos turistas é mais convincente. Por isso estou pedindo a prisão preventiva por extorsão qualificada", disse o delegado-titular da Deat, Fernando Velloso. Uma testemunha que trabalha próximo ao apartamento onde os turistas estavam hospedados confirmou que os policiais estiveram no local com os turistas.   Velloso também tentou ouvir o depoimento dos PMs presos. Um deles recusou-se a falar, alegando o direito constitucional de só falar em Juízo. O outro, confirmou que estava de serviço, mas negou ter estado com os americanos. disse que deixou a base sem autorização para verificar uma denúncia de furto de veículos. Pela manhã, os PMs haviam sido levados até a 1ª Delegacia Judiciária da PM, mas recusaram-se a depor.   Segundo Velloso, há outros registros de extorsão de PMs contra turistas naquela região e afirmou que a foto dos acusados será enviada a essas vítimas para um possível reconhecimento.   Crime militar   Os policiais acusados estão na PM há 7 anos. O comandante do 23 º Batalhão, tenente-coronel Carlos Milan, disse que eles serão acusados de concussão e podem ser expulsos da corporação, caso sejam condenados.   Como o suposto crime foi cometido durante o serviço, é da alçada da Justiça Militar. Tanto o inquérito civil quanto o militar, que também já foi instaurado, são encaminhados a Auditoria da Justiça Militar para serem julgados. "A Justiça Militar é tão rigorosa quanto a Civil", defendeu Milan.   O comandante-geral da Polícia Militar, Ubiratan Ângelo, e o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, recusaram-se a comentar o caso.

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