Polícia prende 25 no Rio durante operação contra milícias; 2 são vereadores

Entre os presos, estão 13 PMs, 4 ex-PMs, 1 policial civil, 1 sargento do Exército, 1 fuzileiro naval, 1 ex-fuzileiro e 2 bandidos

estadão.com.br

21 de dezembro de 2010 | 19h19

A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou nesta terça-feira, 21, a milícia "Família É Nós", a mais bem estruturada de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O grupo é o mais antigo na região e atuava desde 2007 nos bairros de Gramacho, São Bento e Pantanal da cidade.

 

Segundo a Polícia, a milícia seria liderada pelos vereadores Jonas Gonçalves da Silva, o "Jonas É Nós", também policial militar reformado, Sebastião Ferreira da Silva, o "Chiquinho Grandão", e pelo filho de Jonas, o ex-policial militar Éder Fábio Gonçalves da Silva, o "Fabinho É Nós". Além dos três, 22 pessoas foram presas, sendo 13 PMs, três ex-PMs, um comissário da Polícia Civil, um sargento do Exército, um fuzileiro naval, um ex-fuzileiro e dois bandidos.

 

A "Operação Capa Preta" tem como objetivo cumprir 34 mandados de prisão e 51 de busca e apreensão e contou com a participação de 200 agentes, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (DRACO - IE), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, do Exército, do Corpo de Fuzileiros Navais, das Corregedorias Internas da Polícia Civil e Militar e da Corregedoria Geral Unificada (CGU).

 

O delegado assistente da DRACO, Alexandre Capote, que coordenou a ação, afirmou que o grupo se destacava pela organização. "Existia o líder, os gerentes, assistentes, matadores. Eles visavam o lucro, monopolizando o fornecimento de gás, gatonet e gatovelox As nossas investigações apontam para um lucro de R$ 300 mil dessa quadrilha".

 

Alexandre falou ainda da relação do grupo com traficantes "Os milicianos vendiam armas rotineiramente para traficantes do Complexo do Alemão. Em uma negociação, eles conseguiram lucrar R$ 70 mil", revelou.

 

De acordo com o delegado titular da DRACO, Cláudio Ferraz, a operação foi importante para mostrar que a milícia e o tráfico não são atividades afastadas. "A ação marcou bastante, corroborando a não polarização da milícia com o tráfico. Ouvimos escutas telefônicas de negociação de armamento dessa milícia com traficantes do Complexo do Alemão", explicou.

 

Os presos foram autuados por quadrilha armada. O vereador Jonas, o seu filho Éder e um PM, Ângelo Sávio Lima de Castro, também foram indiciados por extorsão, a partir de provas que mostram a prática do crime no controle das revendas de gás de cozinha.

 

As investigações apontam para a ação violenta da milícia como homicídios coletivos, ocultação e destruição de cadáveres, torturas, lesões corporais graves, extorsões, ameaças, constrangimentos e injúrias.

 

O coordenador do GAECO, promotor Cláudio Varela, enalteceu a importância da parceria da Polícia Civil e do Ministério Público nessas ações. "Queria mostrar a importância da nossa parceria, principalmente com a DRACO. Há cerca de um ano, prendemos o vereador Cristiano Girão, e hoje esses dois, que lideravam milícias. Isso é resultado de um trabalho em conjunto".

 

O nome da operação é uma referência ao ex-vereador por Duque de Caxias e ex-deputado federal Tenório Cavalcanti. Controverso, usava uma capa preta (uma beca ganha de um aluno para quem providenciou um bolsa de estudos) e tinha uma metralhadora chamada Lurdinha.

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