Polícia prende 27 pessoas ligadas ao tráfico em Angra dos Reis

Com as prisões, polícia acredita ter desarticulado a principal quadrilha de traficantes da cidade

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo,

27 de janeiro de 2008 | 14h19

Com a prisão de 27 traficantes das comunidades Sapinhatuba 1, 2 e 3, no município de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, o delegado da Polícia Civil Francisco Benítez acredita que conseguiu desarticular a principal quadrilha de revenda de drogas da cidade. Os presos foram detidos na manhã deste domingo, 27, durante uma operação policial na cidade que tinha 32 mandados de prisão concedidos pela 1ª Vara Criminal de Angra dos Reis.    Cinco dos procurados fugiram, segundo o delegado, que está há seis anos no cargo. Eles teriam fugido pelas matas da Serra do Mar, na qual as três comunidades foram construídas ilegalmente - trata-se de área de preservação, na qual por lei é proibida qualquer construção. Os fugitivos, porém, são pessoas de menor importância na quadrilha - seriam encarregados de fazer a "contenção" diante da chegada de policiais ou traficantes rivais.   Os presos são ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP). "Os chefes da quadrilha nós prendemos", afirma Benítez. Eles são Mario Sérgio Conceição da Silva, o "Teco", e Benedito Gomes de Oliveira, o "Dito Barnabé". Também foi preso Júnior Gertrudes de Oliveira, o Juninho, o qual, segundo o delegado, era o decapitador da quadrilha, encarregado de matar e decapitar os desafetos do grupo.   Entre os 27 presos estão ainda dois jovens que moram fora da favela. Edinaldo de Souza Brito Filho, o "Edinaldinho" e Jackson Jerônimo Motta Neto, irmãos de criação, tinham o papel de "estica", isto é, buscavam pequenas quantidades de droga nas bocas das comunidades para revenderem no asfalto. "Todas as vezes que os pegávamos eles alegavam ser usuários, para se livrar da prisão", esclarece Benítez.   Operação   Com a participação de 70 policiais de delegacias especializadas da capital e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) que foram para Angra de madrugada, a operação foi desencadeada em um domingo para não colocar em risco os moradores das comunidades. O único empecilho legal seria as prisões de madrugada: pela lei, elas só podem ocorrer depois das 6 horas.   "Ali moram trabalhadores da Verolme que, durante a semana, saem de casa por volta das 4 horas da madrugada. Fazendo no domingo o risco foi menor, tanto que não tivemos nenhuma vítima", justificou-se o delegado. Não houve troca de tiros. Quando a polícia entrou alguns marginais deram duas rajadas de metralhadora, mas não insistiram no tiroteio e acabaram fugindo.   Benítez explicou ainda que estes traficantes tinham implantado o terror nas favelas Sapinhatuba 1, 2 e 3 - todas localizadas às margens da Rio Santos, no lado oposto à cidade, na encosta da Serra do Mar - impedindo o acesso de parentes de moradores de outras favelas que não fossem dominadas pela mesma facção. Funcionários dos serviços públicos que não fossem previamente conhecidos da quadrilha também eram proibidos de entrar nas três comunidades.   Segundo Benítez, há promessas dos governos estadual e municipal atuarem juntos com ações sociais naquelas comunidades. Só isto, no seu entendimento, pode ajudar a impedir que elas voltem a ser dominadas pelos traficantes da região.   Para ele, o problema maior da região é que não é possível aos dois governos realizar nenhuma construção ali, por ser área de preservação. Além disto, as casas foram erguidas na encosta, onde há uma inclinação de aproximadamente 60 graus - "ela é bastante íngreme o que dificulta o acesso da polícia e de serviços públicos, favorecendo aos bandidos", acrescenta o delegado.   Na operação deste domingo, foi apreendida muito pouca quantidade de drogas e armas - 30 trouxinhas de maconha, alguns gramas de cocaína e quatro revólveres. Isto já era esperado, como esclareceu Benítez. "Sabíamos que só pegaríamos a sobra da comercialização de sábado. Eles entocam a droga e as armas na mata e não tínhamos como encontrá-la."   Texto alterado às 19 horas para acréscimo de informações.

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