Marcos de Paula (17/7/2014)/Estadão
Marcos de Paula (17/7/2014)/Estadão

Polícia prende acusados de homicídio de dona do restaurante Guimas

Maria Cristina Bittencourt Mascarenhas foi assassinada em 17 de julho, após reagir a assalto, próximo a seu estabelecimento

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2014 | 08h41

Atualizado às 15h50

RIO - Três homens foram apresentados pela Divisão de Homicídios da Capital (DH/Capital) nesta quinta-feira, 7, como os acusados do homicídio da empresária Maria Cristina Bittencourt Mascarenhas, sócia do restaurante Guimas, no Baixo Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Segundo DH/Capital, o trio integra uma quadrilha especializada em saidinha de banco - todos têm passagens pela polícia - e foi preso na quarta-feira, 30.

O crime ocorreu no dia 17 de julho, pouco antes das 13h, horário de grande circulação na Praça Santos Dumont, local do assassinato. A empresária, que era conhecida como Tintim, levou um tiro à queima-roupa na cabeça, após resistir a um assalto. 

Dinâmica. Cliente do banco Bradesco do Fashion Mall, em São Conrado, na zona sul, Tintim precisou sacar dinheiro perto do Shopping da Gávea porque sua agência estava em obras. Ela ligou no dia anterior, 16 de julho, e agendou horário para sacar R$ 12 mil.

A empresária entrou no local às 12h11. Vitor Brunizzio Teixeira, de 25 anos, conhecido como Ganso, entrou logo depois e tentou identificar uma vítima aleatória (antes a quadrilha já tinha tentado assaltar uma agência do Itaú Personalité). Depois de quase 30 minutos na agência, a empresária foi atendida no caixa "à vista de todos os olhos", destacou Lages. Irritada com o atendimento, Tintim acabou falando em voz alta a quantia de dinheiro que sacaria. Depois disso, foi levada para uma sala particular.

Após identificar a vítima, Vitor foi substituído na agência por um criminoso identificado apenas como Junior, conhecido como Playboy, que esperou a empresária sair da sala reservada. Ela saiu às 12h52, caminhou até a Praça Santos Dumont e foi morta às 12h57.

Na praça, Jardel Wanderson de Oliveira Vilas Boas, de 28, desembarcou de um Xsara Picasso prata, que parou na frente da vítima. Três comparsas permaneceram no carro: Vitor Teixeira; Wendel dos Santos Gomes, de 34, que dirigiu o veículo e articulou o crime; e Marcos Vinicius do Nascimento Bonfim, de 21, que apoiou a ação. Junior pilotou a moto e deu fuga para Jardel depois que ele atirou. A DH ainda investiga a participação de um menor de idade.

O dinheiro foi dividido da seguinte forma: R$ 7 mil para Wendel (ele alegou que precisava consertar a pistola, já que o carregador caiu na cena do crime) e R$ 1 mil para cada um dos comparsas. O celular de Tintim foi localizado no mercado popular da Uruguaiana, no centro, à venda, por R$ 400.

Três dos envolvidos são da Favela Paula Ramos, no Rio Comprido, zona norte. Os outros dois são de Copacabana, zona sul. O delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa, afirmou que em diligência para prender Vitor no Morro do Querosene (no Complexo de São Carlos, que possui uma Unidade Polícia Pacificadora), os policiais foram recebidos "a tiros e granadas".

Barbosa ressaltou que Tintim "foi escolhida aleatoriamente" pelos criminosos e "colocada em uma situação de vulnerabilidade" pela falta de segurança nos bancos. "Não é admissível que os bancos relatem fortunas (em seus balanços anuais) e deixem clientes e funcionários desprotegidos. A sociedade tem que cobrar uma postura (para aumentar a segurança) ou esses casos (saidinha de banco) continuarão acontecendo", criticou.

Jardel, Vitor e Marcos Vinícius foram apresentados à imprensa nesta sexta-feira. O assassino de Tintim pediu desculpas à família. "Estou arrependido. Se arrependimento matasse não estaria aqui hoje", disse Jardel. Wendel e Junior ainda estão foragidos.

Capacetes. O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que, a partir de agora, todas as pessoas que forem presas cometendo crimes com motos serão fotografadas com e sem capacete. As motos também serão fotografadas para identificar características específicas. "Isso vai ajudar a identificar criminosos em outras investigações."

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