Procurados/Polícia Civil
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Polícia prende 'cérebro' do tráfico de drogas na Rocinha

Alberto Ribeiro Sant’anna, o Cachorrão, é apontado como líder do crime na região ao lado de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157

Fábio Grellet e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 14h04
Atualizado 10 Novembro 2017 | 18h32

RIO - A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta sexta-feira, 10, o traficante Alberto Ribeiro Sant'anna, conhecido como Cachorrão, de 35 anos. Segundo policiais, ele dividia a chefia do tráfico na Favela da Rocinha com Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. A comunidade da zona sul do Rio vivencia tiroteios frequentes há dois meses, desde que comparsas do ex-chefe do tráfico de drogas Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, invadiram o morro para tirar Rogério 157 e seus comparsas do controle do comércio de drogas.

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Nem está preso em uma penitenciária federal em Rondônia, de onde ordenou a invasão, segundo a polícia. Os três integravam a mesma facção criminosa, Amigo dos Amigos (ADA), mas Nem discordou de condutas de Rogério 157 e decidiu atacá-lo. Desde então, Rogério 157, Cachorrão e seus comparsas romperam com a ADA e passaram a integrar uma facção rival, o Comando Vermelho (CV).

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Cachorrão foi preso em um prédio no Morro do Fogueteiro, em Santa Teresa, na região central do Rio, em uma operação de várias delegacias. Segundo o delegado William Pena Júnior, da 35ª DP (Campo Grande), um dos responsáveis pela prisão, o traficante estava em casa, deitado, e ao constatar a chegada dos policiais pegou a filha no colo e se entregou. 

"Ele estava deitado, pegou a filha no colo e se rendeu. Estávamos com apoio aéreo, identificamos e reconhecemos o prédio. Sabíamos que ele bebia muito uísque, pela investigação da inteligência, e já no corredor encontramos muitas garrafas", contou.

Segundo a Polícia Civil, Cachorrão era o comandante intelectual do tráfico na Rocinha.

"Ele era o cérebro dessa organização criminosa, enquanto o Rogério é o braço armado, é quem aparece mais. Cachorrão era o articulador do evento que ocorreu na Rocinha. O Rogério, apesar de ser apontado como líder, dividia as funções", contou o delegado Felipe Curi, titular da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD). "Cachorrão tinha visão mais estratégica de contabilidade e da parte financeira, era responsável pela aquisição de armas, drogas e munições na favela." 

Cachorrão foi segurança de Rogério 157 e subiu na hierarquia da quadrilha até dividir o comando do comércio de drogas na favela. Ele já foi condenado por roubo e tráfico de drogas e possui anotações criminais por associação ao tráfico, lesão corporal e dano ao patrimônio público, entre outras. Chegou a ser preso em 2009 e ganhou liberdade provisória em 2013. Agora, será indiciado por tentativa de homicídio, dano, disparo de arma de fogo e associação para o crime, entre outras acusações.

Segundo a polícia, esta foi a quarta tentativa recente de prender esse traficante. Ele morava na Mangueira, na zona norte, onde ocorreram as primeiras três operações para prendê-lo.

"A Mangueira é uma área mais difícil para entrar, mas conseguimos fazer com que ele fugisse de lá. No Fallet/Fogueteiro é mais tranquilo de entrar", contou Curi. Segundo ele, os policiais chegaram ao imóvel onde Cachorrão se escondia sem que eventuais informantes percebessem. 

Histórico

O lucrativo comércio de drogas da Rocinha é alvo de cobiça desde os anos 1980, quando começaram os embates sangrentos no morro. O último "dono" antes de Rogério 157 foi Nem, preso em 2011. Foi nessa época que Rogério ascendeu.

Quando houve a invasão da Rocinha por homens de Nem no dia 17 de setembro, o bando de Rogério fugiu, mas ainda manteve seu domínio, de acordo com moradores. Os bandidos vinham sendo procurados desde então em operações na própria Rocinha e em sua área de mata, e também em favelas de outras regiões do Rio.

O clima de tensão fez com que o governo do Rio pedisse ajuda às Forças Armadas. Equipes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica permaneceram uma semana na Rocinha e depois voltaram pontualmente. Também auxiliaram em buscas fora do morro.

Na manhã do dia 23 de outubro, com a favela ainda tensa, a turista espanhola Maria Esperanza Jimenez foi morta a tiros ao passar de carro, na saída de um passeio turístico, por um grupo de policiais militares que patrulhavam a Rocinha. O autor do disparo foi um oficial da PM, que pensou tratar-se de um automóvel com criminosos.

 

 

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