Polícia quer prisão de 11 militares que ocupam morro no Rio

Eles são acusados de entregar três jovens presos no morro da Providência a traficantes da Mineira

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

15 de junho de 2008 | 19h33

A polícia decidiu pedir a prisão temporária de 11 militares que participam da ocupação, pelo Exército, do Morro da Providência, no Centro do Rio. Eles são acusados de entregar para traficantes do Morro da Mineira, dominado por uma quadrilha rival, três jovens presos na Providência por desacato na manhã de sábado. Os corpos foram encontrados na tarde deste domingo no Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Em depoimento ao delegado-titular da 4ª Delegacia de Polícia, Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime.   Veja também:  Moradores queimam ônibus em protesto contra Exército no Rio   Os militares estão em prisão administrativa no Comando Militar do Leste. Segundo o delegado, há no grupo um oficial, três sargentos e sete soldados. A polícia informou que os corpos de Wellington Gonzaga Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio da Silva, de 24, foram encontrados mutilados e com marcas de tortura por catadores de lixo. A mãe de Wellington desmaiou ao receber a notícia.   Neste domingo, moradores do Morro da Providência voltaram a protestar e provocaram o fechamento do comércio nos arredores da Central do Brasil, onde está situado o prédio da Secretaria de Segurança Pública, localizada ao lado do Comando Militar do Leste, sede do Exército no Rio. Os militares disparavam tiros para o alto quando entravam na favela.   "Me avisaram que o meu filho foi preso. Encontrei ele no Quartel de Santo Cristo, sentado ao sol. Queria esperar, mas me mandaram ir para a delegacia para onde ele deveria ter sido levado. Após a demora, liguei para o celular dele. Depois de várias tentativas, um homem atendeu e disse que os soldados venderam o meu filho e os amigos para traficantes da Mineira. Nenhum deles eram envolvidos com o crime. O que fizeram com eles não se faz nem com um cachorro", disse a dona de casa, Liliam Gonzaga da Costa, de 43 anos, que foi reconhecer o corpo do filho Wellington no IML de Duque de Caxias. Mototaxistas também presenciaram a entrada do trio no quartel.   Este é o momento mais tenso desde que o Exército ocupou o Morro da Providência em dezembro do ano passado para a reforma das fachadas das casas, previstas no projeto Cimento Social. A obra com recursos do Ministério das Cidades saiu após emenda do Senador Marcello Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio. No sábado, após constatar o desaparecimento dos jovens, cerca de 30 moradores desceram o morro, queimaram um ônibus e depredaram outros nove. Os passageiros do veículo incendiado foram salvos por policiais do 5º Batalhão de Polícia Militar, que patrulham os acessos à Providência para evitar novos tumultos.   O Comando Militar do Leste (CML) abriu Inquérito Policial Militar para apurar o caso. O Exército confirmou que os jovens foram abordados por uma patrulha de militares do Grupamento de Unidades-Escolas da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, nas proximidades da Praça Américo Brum, no alto do morro, e detidos por desacato na manhã de sábado, por volta das 8h. Os três foram levados ao comandante da tropa no quartel do Exército em Santo Cristo, interrogados e liberados, pouco depois de meio dia, segundo o Exército. O nome dos militares e as patentes não foram revelados.

Tudo o que sabemos sobre:
Morro da ProvidênciaExército

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.