Tasso Marcelo/Agência Estado
Tasso Marcelo/Agência Estado

Polícia tenta identificar hackers que ameaçaram judeus durante evento virtual no Rio

O ataque ocorreu em uma transmissão promovida pela Associação Religiosa Israelita (ARI); os invasores publicaram mensagens de ódio e exibiram conteúdo pornográfico

Fabio Grellet, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2021 | 01h53

A Polícia Civil do Rio de Janeiro começou a investigar nesta segunda-feira, 23, ameaças racistas  contra judeus  feitas em ataque hacker ocorrido na noite de domingo, 22. A ação criminosa dos antissemitas ocorreu durante a transmissão de uma cerimônia promovida pelo colégio Eliezer Max com a Sinagoga Associação Religiosa Israelita (ARI). Era uma homenagem a Dora Fraifeld, ex-diretora da escola que morreu recentemente. Os autores tinham, nas redes sociais, perfis de exaltação ao nazismo.

No ataque, os hackers prometeram  invadir sinagogas,  matar judeus e incendiar a sede da ARI, de cuja sinagoga o evento era transmitido na internet. Ao mesmo tempo foram postadas imagens do líder nazista Adolf Hitler (1889-1945), ditador da Alemanha que promoveu o massacre de 6 milhões de judeus, além de ciganos e opositores. Em seguida foi postado um vídeo com no qual um casal fazia sexo.

Cerca de 50 pessoas acompanhavam a cerimônia. Diante da invasão, o administrador do endereço eletrônico cancelou a reunião e abriu um novo link.

O deputado estadual Átila Nunes (MDB), que é relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Intolerância Religiosa na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), levou o caso à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi. Pediu a abertura de uma investigação para tentar identificar quem são os responsáveis pelo ataque hacker.

Na Câmara Municipal do Rio, a vereadora Teresa Bergher (Cidadania), presidente da Comissão de Direitos Humanos, também cobrou a investigação do caso.

“O movimento neonazista vem crescendo assustadoramente. A polícia precisa investigar este caso com rigor, para que os criminosos sejam punidos. O perigo vem bate às nossas portas e estamos assistindo de braços cruzados”, afirmou.

A Federação Israelita do Estado do Rio também reagiu.

“Está acontecendo um aumento considerável desses crimes. É preciso educação e conscientização para que a sociedade aceite a diversidade. Exigimos a apuração pelas autoridades competentes desse episódio que vitimou a ARI e queremos mais do que isso. Entendemos ser necessário que as autoridades desta cidade, deste Estado e deste País posicionem-se contra o antissemitismo e a perseguição a minorias”, afirmou a Fierj, em nota assinada pelo presidente da entidade, Alberto David Klein.

A Polícia Civil informou que a Decradi instaurou inquérito para investigar o caso.

 

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