MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Polícia vai pedir prisão de soldado suspeito de matar o dançarino DG

Segundo o Jornal Nacional,  o soldado Walter Saldanha Correa Júnior foi indiciado pelo homicídio e terá sua prisão pedida nesta 4ª

FÁBIO GRELLET, O Estado de S. Paulo

03 Março 2015 | 21h57

A Polícia Civil do Rio concluiu o inquérito que apura a morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, conhecido como DG, que trabalhava no programa "Esquenta", da TV Globo, e foi assassinado na madrugada de 22 de abril de 2014, durante uma ação policial na favela do Pavão-Pavãozinho, em Ipanema, na zona sul do Rio.

Segundo o Jornal Nacional, da TV Globo, o soldado Walter Saldanha Correa Júnior foi indiciado pelo homicídio e terá sua prisão pedida nesta quarta-feira, 4, pelo delegado Gilberto Ribeiro, da 13ª DP (Ipanema). Outros seis policiais militares foram indiciados por falso testemunho e prevaricação. Dois PMs foram inocentados.

Até as 21h desta terça-feira, a Polícia Civil do Rio não havia confirmado os indiciamentos. Segundo a versão dos policiais, por volta das 22h do dia 21 de abril de 2014 alguém ligou para o Disque-Denúncia e avisou que o chefe do tráfico local, conhecido como Pitbull, estava no teleférico que serve a comunidade.

A informação foi transmitida a um sargento da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do bairro, que perguntou aos subordinados quem gostaria de checar se a denúncia tinha procedência. O debate se prolongou e só à 0h30 os PMs foram patrulhar a comunidade.

Quando chegou a uma quadra esportiva, o grupo composto por nove policiais foi recebido a tiros e revidou. Três policiais buscaram abrigo em um prédio de cinco andares perto da quadra. Os outros seis ficaram na rua.

A eletricidade acabou, houve tiroteio e, ao fim do confronto, os policiais voltaram para a sede da UPP. Três policiais afirmaram ter visto um vulto passando pelo teto do imóvel onde os criminosos estariam. O soldado Correa Junior afirmou então que acreditava ter baleado a pessoa que estava no teto.

A Polícia Civil afirma que DG foi à favela para visitar a filha Laylla, então com 4 anos, e acabou em meio ao tiroteio entre traficantes e policiais, onde foi confundido com criminosos. Para escapar dos tiros, tentou fugir saltando por telhados de imóveis.

Ele foi atingido pelo soldado Valter quando estava no quarto andar de um prédio. O tiro atingiu as costas de DG, de baixo para cima. Mesmo ferido, o dançarino continuou fugindo. Ele passou por duas caixas d'água e acabou morrendo no prédio de uma creche.

Quando o corpo de DG foi encontrado e identificado, moradores da favela promoveram um protesto em ruas de Ipanema. Depois, a história do dançarino foi tema de uma edição especial do programa "Esquenta".

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