Policiais são presos acusados de extorquir traficante

Investigadores teriam mantido homem preso clandestinamente e cobrado dinheiro por sua liberdade

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 19h09

Dois inspetores da 15 ª DP, da Gávea (zona sul do Rio), e um agente de segurança ferroviária foram presos em flagrante nesta terça-feira,5, na própria delegacia em que trabalhavam sob a acusação de tentar extorquir dinheiro de Marco Antônio de Moraes Gimenez Júnior, de 24 anos, contra quem havia um mandado de prisão por tráfico.  Segundo a Chefia da Polícia Civil, os três, após prender o acusado em Saquarema, na Região dos Lagos, na madrugada de segunda-feira, 4, não o levaram à Central de Flagrantes, na 14ª DP, como deveriam, mas o mantiveram detido clandestinamente por pelo menos seis horas na 15ª, tentando vender-lhe a liberdade. A Polícia só divulgou as iniciais dos nomes dos presos: são os inspetores E.F.M. e A.L.R.A. e o agente J.F.N., cedido à Polícia.  Uma denúncia de um advogado do traficante chegou à Chefia de Polícia Civil, que acionou a Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol). Com apoio de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), o delegado da Corregedoria, Leonardo Tumiati, foi até a delegacia e prendeu os policiais, além do acusado de tráfico.  Os inspetores chegaram até Gimenez por meio de uma investigação que o aponta como um dos fornecedores de drogas à Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. A delegada-titular da 15ª Delegacia de Polícia, Márcia Julião, informou que estava de férias em Araruama, na Região dos Lagos, e não teria sido informada pelos policiais sequer sobre a operação para prender o traficante. Os depoimentos foram tomados na 14ª DP.  O próprio chefe da Polícia, delegado Gilberto Ribeiro, está cuidando "pessoalmente" do caso, segundo informação oficial. Ele determinou sigilo nas investigações e justificou, por meio de assessores, a divulgação apenas das iniciais dos nomes dos presos sob a alegação de que o caso ainda está sendo investigado.  Os agentes foram autuados por concussão (extorsão praticada por funcionário público). Em nota, a Polícia Civil informou apenas que uma equipe da 15ª DP "teria negligenciado no cumprimento do mandado de prisão". Os policiais foram encaminhados para a carceragem da Delegacia Anti-Seqüestro e o traficante à Polinter (Divisão de Capturas) na tarde desta terça.

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