Policial leva quatro tiros e morre em festival eletrônico no Rio

Na entrada, policial teria se negado a deixar sua arma com a organização do evento, o que motivou discussão

Nicola Pamplona,

14 de fevereiro de 2010 | 21h09

policial federal Humberto José Filgueiras Barrense, de 40 anos, foi morto por um colega na madrugada de ontem, quando tentava entrar armado no festival de música eletrônica Rio Music Conference, na Marina da Glória, zona sul do Rio.

 

Humberto foi baleado quatro vezes pelo agente da Polícia Federal Leonardo Schmitt, de 26 anos, que é irmão de um dos sócios da Directa Produções, empresa que organiza o evento e é lotado em Manaus.

 

Segundo informações da Polícia Civil, Humberto teria se negado a deixar sua arma com a organização do evento, o que motivou a discussão com Leonardo, que alegou legítima defesa. A namorada da vítima, Carla Rodrigues Leite, porém, disse que Humberto não chegou a sacar sua arma.

 

Leonardo foi preso em flagrante e corre o risco de ser demitido da corporação. A Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Federal vai assumir as investigações. "É a morte de um cidadão, um policial que atira em outro policial, isso por si só já é uma tragédia", comentou o superintendente da Polícia Federal no Rio, Angelo Fernandes, que esteve ontem pela manhã na Delegacia de Homicídios.

 

A Rio Music Conference começou na última quarta-feira, com palestras sobre o mercado de música eletrônica a apresentações de DJs renomados. Em nota divulgada no início da noite de ontem, a organização do evento se eximiu de culpa pelo incidente, afirmando que nenhum dos dois trabalhava na segurança da festa. "Leonardo e Humberto foram vítimas de suas próprias imprudências ao insistirem em entrar armados na festa".

 

Em nova nota divulgada na noite de ontem, a organização do evento admitiu que Leonardo Schmidt é irmão de um dos organizadores. "Assim como o outro policial federal, Humberto Barrense, Leonardo também foi solicitado a entregar sua arma na entrada da festa e se recusou a fazê-lo, o que está registrado no livro de cautela", diz a segunda nota, que ainda informa que as imagens do circuito interno de TV foram entregues a policiais da Delegacia de Homicídios.

 

A Directa aproveitou o incidente para pedir mudanças na lei federal que permite a entrada de policiais armados em eventos públicos, argumento usado por Humberto quando se negou a entregar sua arma. "Que o caso sirva de lição para que essa lei absurda, que já fez tantas vítimas e que deixa refém os organizadores e frequentadores da noite carioca, seja revista", conclui o texto da primeira nota.

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