Policial pode ter participado de assalto fotografado pelo Estado

Para PF do Rio, fuga de delegado que participou do crime teria sido facilitada por outro policial do grupo

Pedro Dantas e Marcelo Auler, do Estadão,

30 Setembro 2007 | 23h45

A Polícia Federal do Rio tem fortes indícios da participação de um policial civil no assalto contra o empresário M.A.S., na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, em 15 de agosto. O assalto foi fotografado pela reportagem do Estado. Pelas fotos foram identificados os cabos do Corpo de Bombeiros Tito Lívio de Paiva Franco, 32 anos, e Antônio Lázaro da Silva Franca, 36 anos, que vestiam coletes falsos da Polícia Federal. O terceiro envolvido era o delegado federal aposentado Paulo Sérgio Cardoso Figueiredo, 52 anos. Ele trajava um paletó em cujo bolso estava a carteira de delegado federal. Na quinta-feira, Figueiredo, que estava preso desde 30 de agosto, fugiu da carceragem da Polinter, em Campo Grande, também na Zona Oeste do Rio.   Por conta da suspeita do envolvimento de um policial civil na quadrilha de Figueiredo, agentes federais admitem que a fuga tenha sido facilitada. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, não descarta esta possibilidade. Neste domingo, Beltrame confirmou o afastamento dos plantonistas porque, "em tese", pode existir o envolvimento deles. "Não podemos deixar trabalhando pessoas sobre as quais poderá recair algum tipo de culpa", afirmou o secretário. Ele se referiu à carceragem como algo "totalmente indecente que não condiz com uma casa prisional".   O setor de inteligência da Polícia Federal realiza investigações que esbarram na participação de policiais militares , civis e federais do Rio. Por falta de carceragem na Superintendência do DPF , os presos nestes casos vão para a Polinter. Em alguns casos os agentes federais constataram regalias a estes presos. Informações levadas à Justiça Federal relataram um caso em que o policial saiu da carceragem para ir a um shopping.   Tentativa de nulidade   O delegado Figueiredo foi reconhecido, por fotos, pela vítima M.A.S. como participantes do assalto. Na quarta-feira, vítima e acusados seriam colocados frente à frente, por decisão da juíza Rosália Monteiro Figueira, da 1ª Vara Criminal Federal. Os dois cabos dos Bombeiros apontaram o delegado aposentado como o mentor do assalto.   Em juízo, Figueiredo negou a sua participação e alegou não conhecer os bombeiros acusados. Segundo a juíza, ele apresentou "raciocínio lógico, inteligência singular, capacidade cognitiva, tranqüilidade, lucidez e bem orientado no tempo e no espaço". Apesar disto, seu advogado, Aureliano Esteves Filho, pediu "a declaração de nulidade do interrogatório", por o réu ser inimputável. Em 1998, Figueiredo foi dado como incapaz pela 6ª Vara de Órfãos e Sucessões com base em laudo médico que o aponta como psicótico esquizofrênico. O mesmo laudo respaldou sua aposentadoria por invalidez.   A juíza instaurou procedimento de insanidade mental para submeter o acusado a nova avaliação médica. Mas no despacho não se mostra convencida da inimputabilidade. "O acusado vem livre e conscientemente manifestando sua vontade e praticando atos da vida civil, sem invocar a alegada incapacidade mental, tais como: dirige seu automóvel, viaja sozinho, tem conta bancária em conjunto com sua esposa, comprou automóvel, conforme provam os documentos ". No dia do assalto, foi ele quem fugiu com o carro da vítima levando os R$ 30 mil que estavam com M.A.S.   Mesmo tendo sido dado como incapaz, Figueiredo foi condenado na 2ª Vara Criminal de São João de Meriti (Baixada Fluminense) à pena de nove anos e quatro meses de reclusão por extorsão qualificada. Na mesma cidade, ele ainda responde por outra extorsão junto à 3ª Vara Criminal. Na cidade de Niterói, tem outro processo por crime de adulteração de chassi de carro. Como se não bastasse, na Polícia Federal responde a um inquérito policial por extorquir do fraudador do INSS Luiz Claudio Giorno R$ 200 mil, em 2002. Todos os crimes cometidos depois de declarada sua incapacidade.

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