Policial preso por falsa blitz no Rio é noivo de delegada

Rocha foi detido na área da 78.ª DP (Niterói), onde sua noiva, Raíssa, é delegada; ela tentou impedir a prisão

Pedro Dantas, do Estadão,

05 Setembro 2007 | 11h29

A delegada adjunta da 78º DP, Raíssa Cellis, noiva do delegado Célio Eduardo Alcântara Erthal Rocha, tentou evitar que ele fosse preso por conta de uma falsa blitze em Niterói. Ela foi flagrada por uma emissora de TV tentando convencer as vítimas a não registrarem queixa, argumentando que o noivo apenas "esqueceu de devolver as carteiras" que levou dos motoristas.   Rocha e um agente penitenciário foram presos quando faziam uma falsa blitz, na madrugada de terça-feira, 4, no centro de Niterói, na região metropolitana do Rio. A dupla, acompanhada por dois homens que fugiram, agrediu e roubou motoristas, quebrou as câmeras de segurança de uma boate e ameaçou policiais militares.   Aos PMs que o prenderam Rocha, Raíssa pediu "para esquecer tudo, porque as polícias são amigas". Apesar das testemunhas, ela registrou o caso apenas como desacato.   De acordo com testemunhas, o grupo atuava havia tempos extorquindo dinheiro de motoristas em Niterói. Acompanhado do agente penitenciário Marcelo Carvalho Oliveira, que é lotado no Centro de Tratamento em Dependência Química Roberto Medeiros, em Bangu (zona oeste do Rio), o delegado parava os motoristas, quando foi abordado pela primeira vez na noite de segunda-feira por PMs do 12º Batalhão, que receberam várias ligações de pessoas indignadas com as extorsões.   "Eles estavam se divertindo com a gente. Pareciam alcoolizados, nos xingavam e o homem que se identificou como delegado deu um tapa no meu pescoço e levou R$ 70 da minha carteira", disse um dentista.   O delegado se livrou da prisão pelos PMs ao mostrar a carteira policial e seguiu com o agente penitenciário e outros dois homens para a boate erótica Excentric, onde quebraram as câmeras de vigilância. Às 2 horas, o grupo voltou a realizar falsa blitz na Rua da Conceição, uma das mais movimentadas do centro de Niterói. Acionada por novas denúncias, a PM montou uma operação com 8 viaturas e 20 homens para prender o delegado, que ainda desacatou um tenente. Uma pistola 380 e um revólver calibre 38 com a numeração raspada foram apreendidos. O carro usado pelos acusados era um Santana também em situação irregular.   Rigor   O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, determinou rigor na apuração do caso, que foi transferido da 78º DP para a Corregedoria Unificada pelo chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. "São fatos graves, mas existem versões conflitantes e vamos apurar tudo. Ele estava atuando fora da jurisdição sem qualquer autorização e já pode ser punido por isso", declarou. Ribeiro não descartou uma punição à delegada adjunta.   Filho de um procurador aposentado e irmão de uma procuradora de Justiça, o delegado ingressou na polícia há dois anos, depois de garantir sua vaga com uma liminar na Justiça. A Secretaria de Segurança Pública informou que ele pode ser acusado de abuso de autoridade, usurpação e assalto. A Secretaria de Administração Penitenciária abriu sindicância contra o agente penitenciário.   Flagrante   Em diálogos divulgados pela TV Globo, a delegada Raíssa Cellis tenta ajudar o noivo, delegado Célio Erthal Rocha, preso sob a acusação de participar de falsa blitz:   Raíssa: Já conversei com os policiais, já conversei com as outras partes, tá todo mundo entrando em entendimento. As polícias são amigas, não tem que ter nada de briga entre a corporação. Tá sendo feito o R.O. (B.O.) de desacato. Agressão não, tá, gente? Não chegou a ter violência física.   Vítima: Eu peguei a minha carteira, tirei minha identidade e minha carteira foi junto com a identidade e não voltou para a minha mão.   Raíssa: Tem que ter parcimônia nas coisas, sabe por quê? A coisa vai passando de boca em boca e aumenta de uma maneira que às vezes não é aquilo que aconteceu.

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