Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Operação em favelas do Rio tem 16 presos e um ferido

Cerca de mil policiais e militares estão envolvidos em ação realizada na Rocinha e mais três comunidades

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2018 | 09h47
Atualizado 09 Junho 2018 | 15h42

RIO - As favelas da Rocinha, Vidigal, Chácara do Céu e Parque da Cidade, localizadas na zona sul do Rio de Janeiro, foram cercadas neste sábado, 9, pela primeira operação do Comando Conjunto da Intervenção, que reúne as Forças Armadas e policias do Estado. A operação contou também com a Polícia Federal, que não é subordinada à Intervenção.

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Ao todo, cerca de mil policiais e militares estão envolvidos na ação. A operação resultou na prisão de 16 pessoas, sendo oito por mandado de prisão e oito por autuação em flagrante. Um dos criminosos foi baleado e está sendo atendido por uma equipe médica, mas a assessoria do Comando Conjunto não soube informar o estado de saúde da vítima. O Comando ainda está contabilizando o volume das munições apreendidas, informou a assessoria.

Desde às 3h da madrugada, moradores relataram pelas redes sociais terem ouvido helicópteros sobrevoando as comunidades. Por volta das 6h, começaram as revistas nas pessoas quem deixavam o morro, informou uma fonte do Vidigal. De acordo com a fonte, depois do sobrevoo de helicópteros por toda a madrugada, os policiais subiram a favela por volta das 6h, quando ainda estavam acontecendo bailes na comunidade. Não houve troca de tiros e as revistas aos moradores corriam em clima de educação e tranquilidade. Já na Rocinha, os tiros começaram por volta das 6h e até o momento não há relato de feridos.

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Esta é a primeira vez de uma operação na Rocinha desde o início da Intervenção, em fevereiro. De acordo com o chefe da comunicação do Comando Militar do Leste (CML), coronel Carlos Frederico Cinelli, a operação mais incisiva na Rocinha foi necessária para apoiar o cumprimento de mandados de prisão, que ainda estão sendo compiladas.

Já na Praça Seca, onde já foi realizada a fase de estabilização, após ações do CML na últimas semanas, neste sábado estão sendo realizadas ações comunitárias, com a oferta de serviços para os moradores. Na Cidade de Deus, outro grande complexo de favelas do Rio, a fase de estabilização e patrulhamento intensivo prossegue, informou o coronel.  

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A estrada Lagoa-Barra, que liga a zona sul à zona oeste da cidade chegou a ser fechada pelas Forças Armadas, mas por volta das 8h foi liberada.

O Comando Conjunto informou em nota que a ação envolve o cerco, estabilização dinâmica da área, remoção de barricadas e revistas seletivas de pessoas e veículos. A Polícia Militar atua bloqueando possíveis rotas de fuga de criminosos e a Polícia Civil realiza a checagem de antecedentes criminais e cumprirá mandados judiciais, condicionada às restrições constitucionais à inviolabilidade do lar.

"Algumas vias na região poderão ser interditadas e setores do espaço aéreo poderão ser controlados, oportunamente, com restrições dinâmicas para aeronaves civis. Não há interferência nas operações dos aeroportos", informou o Comando, afirmando que a operação vai beneficiar, direta e indiretamente, 120 mil moradores de comunidades.

Tiroteio na Urca

Um intenso tiroteio entre policiais e traficantes, na tarde de sexta-feira, 8, levou pânico à Urca, bairro de classe média alta do Rio e interrompeu por duas horas a circulação do bondinho do Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do País. Essa foi a 1.ª vez que o teleférico, inaugurado em 1912, deixou de circular pela violência. Um grupo de cerca de 100 pessoas, incluindo dezenas de crianças, ficou isolado no Morro do Pão de Açúcar. O Aeroporto Santos Dumont, no centro, também foi fechado por 15 minutos, porque a Urca fica na rota de pouso e decolagem.

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