Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Política de segurança pública no Rio não protege moradores nem policiais, diz Anistia Internacional

'Operações policiais no Rio de Janeiro seguem um padrão de alta letalidade, deixando centenas de pessoas mortas todos os anos', diz órgão

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2016 | 17h36

RIO - A Anistia Internacional divulgou nota neste domingo, 20, condenando a política de segurança pública implementada no Estado do Rio de Janeiro. Segundo o comunicado, o governo tem falhado em proteger a vida tanto dos moradores quanto dos agentes de segurança pública.

“As operações policiais no Rio de Janeiro seguem um padrão de alta letalidade, deixando centenas de pessoas mortas todos os anos, inclusive policiais no exercício de suas funções. Em geral, são operações altamente militarizadas, que seguem uma lógica de guerra (neste caso, guerra às drogas), que enxerga as áreas de favelas e periferias como territórios de exceção de direitos e que resultam em inúmeros outros abusos além das execuções, tais como invasão de domicílio, agressão física e verbal, e cerceamento do direito de ir e vir”, diz a nota da organização não governamental. 

A divulgação do comunicado foi motivada pelo confronto na comunidade de Cidade de Deus, na zona oeste do Rio. Quatro policiais militares morreram na queda de um helicóptero em meio a um tiroteio na favela, neste sábado (19). Neste domingo, os corpos de sete jovens foram encontrados no interior da comunidade, após uma operação policial.

“Até às 14h deste domingo, são pelo menos 11 mortos na operação policial na Cidade de Deus, mas moradores relatam a possibilidade de que ainda existam outros”, alerta o texto da entidade.

O documento afirma ainda que outras operações policiais e disputas entre grupos criminosos resultaram em tiroteio na capital durante todo o fim de semana.

“A Anistia Internacional pede que as autoridades do Rio de Janeiro repensem urgentemente a política de segurança pública que está sendo implementada e adotem medidas urgentes para garantir que as operações policiais respeitem os direitos humanos e garantam a segurança de todas as pessoas”, declara o documento. 

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