Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Ponte cai e fere fiéis na Baixada Fluminense

Três pessoas permanecem internadas em hospital estadual; idosa de 72 anos passou por cirurgia

Carina Bacelar, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2015 | 10h41

Atualizado às 15h06.

RIO - Uma ponte de madeira que servia de acesso para uma igreja caiu em Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, por volta de 7h30 desta segunda-feira, 12, ferindo mais de 20 pessoas, segundo testemunhas. Só onze delas precisaram de atendimento médico em hospitais da cidade. Oito foram encaminhadas para o Hospital Municipal Doutor Moacyr Rodrigues do Carmo e liberadas ainda nesta manhã, de acordo com a Prefeitura de Duque de Caxias. Outras três foram levadas para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes.

Na unidade estadual, duas mulheres, mãe e filha, permaneciam internadas no início da tarde desta segunda-feira. Eva da Silva Souza, de 72 anos, sofreu uma fratura exposta no fêmur e passou por cirurgia. O estado de saúde dela inspira cuidados. A filha de Eva, Solange Resende, de 52 anos, sofreu uma fratura no pulso e também deve ser operada. Nenhuma das duas vítimas tem previsão de alta. 

O filho de Eva e irmão de Solange, o motorista Carlos Alberto da Silva Souza, de 54 anos, afirmou que as duas estavam "assustadas". Ele foi avisado do acidente por um amigo, que havia visto uma reportagem. "Ninguém espera uma coisa dessas. Dentro do possível, elas estão bem", disse.

A família mora em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Eva e Solange, devotas de Nossa Senhora Aparecida, costumam participar da romaria em Duque de Caxias "há muitos anos", segundo Souza. No feriado do ano passado, as duas estiveram na Basílica de Aparecida, em São Paulo, mas Eva não quis voltar este ano porque foi assaltada durante a festa.

"Eu sou capaz de dizer que elas vão participar da Romaria (em Duque de Caxias) no ano que vem. As duas são persistentes. Provavelmente vão querer ir de qualquer jeito", acredita o motorista. Para ele, a mãe é uma idosa "ativa". Dá aulas de artesanato e sobe favelas da região para atuar em obras sociais católicas, conta ele. Souza considera "revoltante" o fato de uma ponte provisória de madeira ter sido a única passagem para os pedestres que seguiam para a missa campal.

"Com certeza é revoltante. Se é provisório, eles tinham que ter na cabeça que não era possível sustentar a quantidade de pessoas que passam ali. Aquilo ali pega sol e chuva", reclamou.

A ponte de madeira foi colocada no local pelo governo do Estado. A ponte de concreto, normalmente utilizada para passagem, está interditada devido a obras do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que realiza a duplicação da Avenida Governador Leonel Brizola, antiga Presidente Kennedy. Sob a passagem está o Rio Pilar. 

A ponte de madeira quebrou no final de seu trecho, quase na chegada à entrada da Igreja Nossa Senhora do Pilar. Segundo a Prefeitura de Duque de Caxias, 7 mil pessoas participaram da romaria. Os pedestres caíram de uma altura de pouco mais de 3 metros. 

Segundo moradores, a estrutura provisória está no local há dois anos. "Ninguém faz nada", se queixa a ambulante Sabrina Lousano, de 23 anos. Ela vendia cachorro-quente na entrada da igreja quando viu uma multidão correndo para acudir as vítimas. "Foi um desespero, todo mundo gritando, tentando socorrer o pessoal que caiu", recorda. Ela conta que, no momento em que a ponte rompeu, havia muitos idosos e crianças no local. 

Já a vendedora Andreia Malta, de 39 anos, diz que mais ou menos 20 pessoas passavam pelo trecho final da ponte quando houve o acidente. "Deixamos tudo na barraquinha e viemos ajudar", lembre ela, que também vendia quitutes no local da missa. "Essa ponte tem muita frequência de pedestres, mas não é essa multidão toda que estava no momento. Toda vez que a gente passava por ela, mexia, balançava". 

A Secretaria Municipal de Obras compareceu ao local do acidente para colocar tapumes nos acessos à ponte. A Polícia Civil já realizou perícia na estrutura. O laudo deve determinar as causas do incidente. Equipes da Defesa Civil Municipal também permaneciam no local por volta de 13h desta segunda-feira. 

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