Antonio Lacerda/EFE
O sequestro ao ônibus da Viação Galo Branco se iniciou por volta das 5h30 Antonio Lacerda/EFE

Sequestrador de ônibus na Ponte Rio-Niterói é morto pela polícia do Rio

Homem mantinha reféns desde as 5h30 e foi alvejado por snipers da polícia; ação durou cerca de quatro horas

Ana Paula Niederauer, Bianca Gomes e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 06h36
Atualizado 21 de agosto de 2019 | 18h21

Correções: 20/08/2019 | 18h21

RIO E SÃO PAULO - Um homem que fazia passageiros de um ônibus da Viação Galo Branco reféns na Ponte Rio-Niterói na manhã desta terça-feira, 20, foi morto por atiradores de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O sequestro se iniciou por volta das 5h30 e durou cerca de quatro horas. A arma usada era de brinquedo. Os passageiros foram libertados - nenhum dos 37 reféns ficou ferido.

O sequestrador foi identificado como William Augusto da Silva, de 20 anos. Ele afirmou que era policial, mas a informação foi negada pelo governo do Rio. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Estado, Silva chegou ao Hospital Municipal Souza Aguiar com parada cardiorrespiratória e foi constatado o óbito pela equipe médica.

Depois da morte do sequestrador, o governador Wilson Witzel (PSC) foi à Ponte Rio-Niterói de helicóptero, abraçou os policiais e vibrou com a ação dos agentes de segurança. Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que "não tem que ter pena do sequestrador".

"Primeiro, eu quero agradecer a Deus. Não foi a melhor solução possível, o ideal era que todos saíssem com vida, mas tomamos a decisão de salvar os reféns", afirmou Witzel. "(Tomamos a decisão de) solucionar o problema rapidamente, foi um trabalho muito técnico da polícia, que usou atiradores de elite. Eu fiquei monitorando o tempo todo."

Witzel disse que conversou com parentes do sequestrador, que pediram desculpas à população e aos reféns por seu comportamento.

"Falaram que houve uma falha na educação, a mãe dele estava chorando muito", disse o governador. 

O governador informou que a recém-criada Secretaria de Vitimização irá cuidar não apenas dos 37 reféns, mas também da família do homem morto.

No início da tarde, Witzel aproveitou a coletiva de imprensa sobre o sequestro do ônibus na ponte para fazer uma longa e inflamada defesa de sua política de segurança. Ele comparou a execução de bandidos com fuzis no meio das comunidades superpovoadas ao que aconteceu na manhã desta terça-feira.

"Foi um trabalho de excelência. Se a PM não tivesse abatido o criminoso, muitas vidas não teriam sido poupadas. E é isso que está acontecendo nas comunidades: se a polícia puder abater quem está de fuzil, muitas vidas serão poupadas", disse. "Fizemos a oração do Pai Nosso junto com as vítimas e oramos pelo criminoso que morreu."

O governador frisou que, ao descer do helicóptero na ponte, sua comemoração não foi pela morte do sequestrador, mas, sim, pelo fato de 37 pessoas terem sido salvas. Witzel vibrou de punhos fechados e sorrindo, antes de abraçar o comandante da PM no local. "Não pude me conter", afirmou.

Já o porta-voz da PM fluminense, coronel Mauro Fliess, considerou a ação policial bem-sucedida e parabenizou os agentes envolvidos na ocorrência.

"Essa é a polícia que queremos ver. Foi necessário o disparo de um sniper para neutralizar o marginal e salvar todas as pessoas do ônibus. Estamos prestando toda a atenção à saúde dos reféns e agindo com solidariedade. Parabenizo todos os envolvidos", afirmou o porta-voz. "Nenhum refém ferido, eles estão recebendo atendimentos médicos e psicológicos em caso de necessidade. Mas nenhum ferimento."

A arma do sequestrador era de brinquedo, mas, de acordo com a polícia, ele havia pendurado várias garrafas pet cheias de gasolina dentro do ônibus e tinha um isqueiro em mãos. Ele fez diferentes ameaças, como de atear fogo no ônibus, se jogar da ponte com um refém ou mesmo matar dez reféns. Segundo a polícia, ele não tinha antecedentes criminais e era psicótico.

A Ponte Rio-Niterói foi totalmente interditada no sentido Rio. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Corpo de Bombeiros cercaram o veículo, que ficou parado na altura do Vão Central. Viaturas dos bombeiros chegaram ao local por volta das 7h10. 

Veja o momento em que o sequestrador é alvejado pelos policiais militares

Em entrevista ao Bom Dia Rio, a mulher de um dos reféns contou que o marido lhe avisou do sequestro. "Sempre roubam carteira e celular, mas esse tipo de coisa nunca aconteceu", destacou Eliziane Terra. "Ele saiu para trabalhar 4h30. Quando foi por volta de 5h26 ele me mandou uma mensagem dizendo que o ônibus estava sendo sequestrado: 'Estamos indo para a ponte'. A princípio eu pensei que era um assalto. Eu levantei, acordei o meu filho e disse: 'Seu pai está sendo assaltado'", revelou.

A linha de ônibus 2520D da Viação Galo Branco saiu do Jardim Alcântara, em São Gonçalo, em direção a Estácio, na região central do Rio.

Sequestro do ônibus 174, em 2000

A ocorrência desta terça fez relembrar o sequestro ao ônibus da linha 174, no Jardim Botânico, na zona sul do Rio, há 19 anos. Transmitida pela televisão ao vivo para todo o País, a ação durou mais de quatro horas e terminou com a morte de uma passageira - a professora Geísa Firmo Gonçalves - e do sequestrador Sandro Barbosa Nascimento.

Correções
20/08/2019 | 18h21

O texto foi atualizado às 14h30 desta terça-feira, 20, pois a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro corrigiu a informação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que mais cedo havia divulgado que o sequestrador tinha sido preso por estupro, porte ilegal de arma de fogo, tentativa de furto e pela Lei Maria da Penha. De acordo com a Polícia Civil, William Augusto da Silva não tinha antecedentes criminais.

Uma versão anterior desta matéria informava incorretamente o nome do sequestrador. O nome correto é William Augusto da Silva, e não William Augusto do Nascimento como anteriormente informado. 

 

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Há 19 anos, Brasil assistia ao vivo ao terror do sequestro do ônibus 174

Caso que terminou com morte de passageira e do sequestrador foi transmitido para todo o País e virou dois filmes

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 08h49

SÃO PAULO - Em 12 de junho de 2000, Sandro Barbosa Nascimento manteve reféns passageiros do ônibus da linha 174 da Viação Amigos Unidos, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. Transmitida pela televisão ao vivo para todo o País, a ação durou mais de quatro horas e terminou com a morte de uma passageira e do sequestrador.

O sequestro começou por volta das 14 horas. Com um revólver calibre 38, Sandro manteve dez pessoas reféns no coletivo. O veículo foi cercado pela Polícia Militar, e o rapaz passou a usar as câmeras de TV para fazer ameaças performáticas, pondo a cabeça para fora do ônibus com a arma em punho e mandando uma refém escrever com batom frases de terror nos vidros.

Depois de uma longa negociação e com quase todos os reféns libertados, por volta das 18h45, Sandro desceu do ônibus levando consigo, como escudo humano, a professora Geísa Firmo Gonçalves, de 20 anos. Nessa hora, um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se aproximou e atirou quase à queima-roupa, com arma de grosso calibre.

O disparo do policial, que tinha como alvo o assaltante, acertou a professora. Sandro também disparou contra ela. A passageira morreu. Sandro foi rendido e morto minutos depois na viatura da PM. Em 1992, ele havia sobrevivido à chacina da Igreja da Candelária, no centro do Rio, que matou oito meninos de rua em ação atribuída a policiais.

Depois da tragédia de 2000, a linha 174 foi rebatizada para 158. Em 2002, o episódio foi tema de um premiado documentário, Ônibus 174, do diretor José Padilha, que cinco anos mais tarde dirigiria o longa-metragem Tropa de Elite. E, em 2008, o caso ganhou outra releitura de ficção no cinema - Última Parada 174, de Bruno Barreto.

Sequestro a ônibus na Avenida Presidente Vargas, em 2011

Em 9 de agosto de 2011, um ônibus que trafegava na Avenida Presidente Vargas, uma das principais vias do centro do Rio, com ao menos 20 passageiros, foi sequestrado por quatro criminosos armados com granadas e pistolas. A Polícia Militar trocou tiros com os sequestradores, e ao menos cinco pessoas foram baleadas. Nenhuma delas morreu. Os disparos que atingiram as vítimas teriam sido efetuados pelos agentes de segurança. 

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Bolsonaro e Witzel defendem uso de atirador de elite na Ponte Rio-Niterói

Na avaliação do presidente, 'não tem que ter pena' do sequestrador do ônibus; já o governador considerou um sucesso a operação

Julia Linder e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 11h36

BRASÍLIA E RIO - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), defenderam a atuação de um atirador de elite contra o homem que manteve passageiros de um ônibus reféns por quase quatro horas na Ponte Rio-Niterói. Bolsonaro disse que "não tem que ter pena". Já Witzel comemorou a ação e afirmou que foi um "trabalho técnico da polícia".

"Estou sabendo (do sequestro). No meu entender, sniper", disse o presidente ao ser questionado sobre o caso.

Bolsonaro falou com jornalistas antes do sequestrador ter sido morto pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O homem usava uma arma de brinquedo e nenhum dos 37 reféns ficou ferido.

"Eu defendo que o cidadão de bem não morra nas mãos dessas pessoas", afirmou o presidente mais cedo.

Após o desfecho, Bolsonaro usou o Twitter para parabenizar os policiais do Rio de Janeiro dizendo que "hoje não chora a família de um inocente".

Pela manhã, Bolsonaro relembrou o sequestro do ônibus 174, em junho de 2000, também no Rio de Janeiro, quando uma vítima morreu durante a ação policial. Na ocasião, segundo o presidente, não houve o uso de atirador de elite e uma pessoa inocente acabou sendo morta.

"Não foi usado sniper. O que aconteceu? Morreu uma pessoa inocente, e depois esse vagabundo morreu no camburão. Os policiais do camburão foram submetidos a júri popular. Foram absolvidos por 4 a 3", afirmou o presidente na saída do Palácio da Alvorada. "Quase você condena dois policiais, condena a 30 anos de cadeia. Não tem que ter pena."

Witzel diz que foi um 'trabalho muito técnico da polícia'

Depois da morte do sequestrador, o governador Wilson Witzel (PSC) foi à Ponte Rio-Niterói de helicóptero, abraçou os policiais e vibrou com a ação dos agentes de segurança. 

"Primeiro, eu quero agradecer a Deus. Não foi a melhor solução possível, o ideal era que todos saíssem com vida, mas tomamos a decisão de salvar os reféns", afirmou. "(Tomamos a decisão de) solucionar o problema rapidamente, foi um trabalho muito técnico da polícia, que usou atiradores de elite, eu fiquei monitorando o tempo todo."

Witzel disse que conversou com parentes do sequestrador, que pediram desculpas à população e aos reféns por seu comportamento.

"Falaram que houve uma falha na educação, a mãe dele estava chorando muito", disse o governador. 

O governador informou que a recém-criada Secretaria de Vitimização irá cuidar não apenas dos 37 reféns, mas também da família do homem morto.

Witzel aproveitou o que chamou de "sucesso" da operação para comparar com a situação das comunidades, onde pelo menos cinco jovens foram mortos, vítimas de bala perdida na última semana.

"Foi um trabalho de excelência, se a PM não tivesse abatido o criminoso, muitas vidas não teriam sido poupadas, e é isso que está acontecendo nas comunidades: se a polícia puder abater quem está de fuzil, muitas vidas serão poupadas", disse. "Fizemos a oração do Pai Nosso junto com as vítimas e oramos pelo criminoso que morreu."

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Passageiros dizem que sequestrador queria 'entrar para a História'

Reféns afirmam que William Silva estava calmo dentro do ônibus na Ponte Rio-Niterói e que não ameaçou botar fogo

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 14h56
Atualizado 21 de agosto de 2019 | 18h23

RIO - Os passageiros do ônibus sequestrados na manhã desta terça-feira, 20, na Ponte Rio-Niterói contaram que o sequestrador William Augusto da Silva, de 20 anos, disse que não queria machucar ninguém nem roubar nada. Segundo os reféns, o homem dizia apenas que queria "entrar para a História". 

A ação toda, no entanto, parecia planejada, segundo as testemunhas. O sequestrador havia levado os potinhos de garrafa PET para colocar gasolina, barbante para amarrar os passageiros, coquetel molotov, além de uma faca, uma arma falsa e teaser.

"Ele só falava que queria entrar para a História, que a gente ia entrar para a História e que teria muita historia pra contar", disse o professor de Geografia Hans Miller, de 34 anos, que estava no ônibus.

Segundo Miller, embora ele tenha pendurado os potes com gasolina por todo o ônibus, em nenhum momento ele ameaçou botar fogo no veículo.

"Ele disse que não queria tocar fogo no ônibus e que só queria dinheiro do Estado, que quem ia pagar a conta era o Estado", disse.

O professor chegou a fazer cartazes com informações sobre o sequestrador para passar informações à polícia. Ele colocava os avisos entre o vidro e as cortinas, que tinham sido fechadas por determinação do criminoso.

Daniele Farias, de 38 anos, mulher de um outro refém, com quem manteve contato por mensagem durante todo o sequestro, contou uma história parecida.

"Meu marido falou comigo o tempo todo, dizendo que estava tudo bem, que ele não estava ameaçando ninguém, que estava calmo e que o que ele queria era parar a cidade, botar o terror", declarou Daniele.

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Ação de sniper no Rio foi correta, diz especialista em segurança

Para ex-comandante do Gate de São Paulo, opção pelo disparo seguiu protocolos e salvou a vida dos reféns

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2019 | 15h56

SÃO PAULO - A ação policial que terminou com sequestrador morto e o resgate de seis reféns na manhã desta terça-feira, 20, na Ponte Rio-Niteroi, no Rio, obedeceu a protocolos corretos de ocorrências com reféns, na avaliação do tenente-coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo Diógenes Lucca, ex-comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), membro do Fórum Brasileiro da Segurança Pública e consultor privado. 

Com a ressalva de que não estava no local dos fatos, Lucca afirma que a polícia fluminense prosseguiria com as negociações caso o sequestrador se mostrasse disposto a não ser violento. O especialista diz ainda que o objetivo de situações como esssas é preservar a vida de todos os envolvidos - “reféns, policiais e criminoso” -, mas que, diante de situações adversas, o tiro de comprometimento, termo técnico para o disparo do sniper, é uma alternativa para preservar a vida dos inocentes. 

“A gente sempre quer resolver a ocorrência com a negociação. A negociação é a alternativa que mais se aproxima do grande objetivo do gerenciamento de crise, que é a preservação da vida”, diz. “Quais vidas? Todas. Reféns, policiais e criminoso”, afirma Lucca. 

“Só que, às vezes, a negociação tem limite. Se ela estiver caminhando bem, você pode negociar por várias horas”, continua. “Quando, durante a negociação, o criminoso começa a apresentar indicadores de violência, que é por exemplo seviciar (ferir ou maltratar) os reféns, disparar arma, demonstrar algum tipo de descontrole, ou algo que possa colocar em risco o grande objetivo, que é resolver a crise preservando as vidas, o gerente da crise é obrigado, por força de doutrina, a adotar medida mais drástica: usar outras alternativas táticas". E, a partir disso, o tiro passa a ser uma opção, segundo o tenente-coronel. 

Lucca afirma que não há um único indicador ou linha a ser ultrapassada que autoriza o uso do disparo. “Não é um único indicador de violência, mas um somatório de indicadores de violência pode sinalizar para o gerente da crise que as coisas não estão caminhando bem.” “Então, quando o cara começa a disparar a arma, seviciar os reféns, consumir droga, tudo isso são indicadores para o gerente da crise que as coisas não estão indo bem”. 

Ainda segundo o tenente-coronel, a literatura indica haver dois tipos de tiros de comprometimento: para eliminar o risco completamente, matando o criminoso, ou para eliminar o perigo iminente, situação em que é possível, por exemplo, acertar apenas a mão de um sequestrador armado com uma faca. “É o gerente da negociação quem decide (qual será o tipo do disparo).”

Mas o sniper é quem tem a palavra final sobre efetuar ou não o disparo. “O sniper recebe a ordem, e a partir do momento em que recebe a luz verde, quem escolhe o momento (de atirar) é ele, se der para atingir o objetivo.” “O atirador de elite, quando faz o disparo, ele sabe onde vai entrar, onde vai sair, e onde pode pegar o efeito colateral.”

Lucca avalia que a situação ocorrida na manhã desta terça no Rio teve um desfecho exitoso. “O local foi isolado, a crise foi contida, iniciaram no processo de negociação, que é o adequado, é sempre assim que funciona.”

“Acho, e aí é uma suposição, porque não estava no local, que os policiais perceberam que as negociações não estavam prosperando, o sujeito continuava ali de uma maneira um pouco intempestiva”, afirma. “Apesar de ter soltado alguns dos reféns, não foi de uma maneira que daria tranquilidade para prosseguir uma negociação.” 

Lucca continua: “A polícia do Rio de Janeiro prosseguiria na negociação se ela estivesse caminhando bem, Mas alguma coisa ali, aquelas garrafas de combustível pregadas no ônibus, o jeito dele, saindo e voltando, pode ser que gerou uma leitura por parte do gerenciador da crise de que era necessária uma ação para resolver o problema antes que ficasse pior para os inocentes que estavam lá.”

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