Por videoconferência, Marcinho VP e pastor prestam depoimento

Eles são acusados de tráfico de drogas e associação para o tráfico; fundador da ONG Afroreggae, José Júnior, também foi ouvido

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 19h25

RIO - O traficante Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (principal facção criminosa do Rio) e o pastor Marcos Pereira da Silva, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD), prestaram depoimento nesta quinta-feira, 7, no processo em que são acusados de tráfico de drogas e associação para o tráfico. As oitivas foram por videoconferência, já que Marcinho cumpre pena no presídio federal de Cantaduvas (PR); o pastor Marcos está no complexo de Bangu, na zona norte do Rio.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) não divulgou o teor dos depoimentos. Os delegados Roberto Ramos da Silva e Valéria Aragão, responsáveis por etapas do inquérito, também foram ouvidos. Segundo o TJ-RJ, ambos disseram que "obtiveram provas testemunhais de que o pastor Marcos Pereira atuava como uma espécie de 'pombo-correio' de Marcinho VP, levando ordens e recados aos traficantes das comunidades". 

Em setembro de 2013, em outro processo, o pastor foi condenado a 15 anos de prisão pelo estupro de uma frequentadora da ADUD. Outro ouvido nesta quinta-feira foi o fundador e coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior. Ele contou que "tinha uma relação de amizade com o pastor Marcos Pereira na mediação de conflitos em presídios até, segundo ele, ter a confirmação do próprio religioso de que teria estuprado a mulher de um dos vice-presidentes da ADUD", informou o TJ-RJ.

"A partir de então, José Júnior passou a oferecer proteção ao desafeto de Marcos Pereira em sua ONG. E, de acordo com o coordenador do Afroreggae, ambos começaram sofrer ameaças do tráfico nos Complexos da Penha e do Alemão". Em depoimento, José Júnior afirmou também que o pastor Marcos "orquestrou, junto com outros traficantes, os ataques à cidade em 2010. Dois anos depois, tanto o líder religioso quanto Marcinho VP teriam planejado as investidas contra a sede do Afroreggae".

Nesta quinta, somente as testemunhas de acusação foram ouvidas. Ao todo, nove testemunhas de acusação e vinte de defesa foram arroladas. A próxima audiência será só em 8 de outubro.

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