EFE
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Portela combina simplicidade e gigantismo ao retratar Rio surrealista

Em homenagem aos 450 anos da Cidade Maravilhosa, escola busca inspiração no pintor Salvador Dalí

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2015 | 02h50

Mais antiga escola a desfilar no Grupo Especial, a Portela fez jus à enorme expectativa que rondava seu desfile e mostrou uma homenagem aos 450 anos de fundação da cidade do Rio com toques de modernidade. No entanto, teve dois problemas paradoxais: por um lado, a simplicidade exagerada de algumas alegorias; por outro, uma grande dificuldade na Apoteose derivada do gigantismo do abre-alas, o que fez com que os integrantes tivessem de correr no trecho final da pista para que não houvesse atraso.

Maior já feita, com 23 metros de altura e 22 de envergadura, a águia, o símbolo da Portela, que veio “trajada” de Cristo Redentor no abre-alas, com as asas abertas, como os braços da estátua, ficou empacada na dispersão e teve de ser serrada para que se abrisse espaço para o restante da escola. Foi o carro mais impactante da escola - depois dele, tudo o que se seguiu era menos elaborado, em especial os carros que representavam o “carioca da gema” e os Arcos da Lapa.

Com um samba melodioso e de refrão fácil (“sou carioca/sou de Madureira/a Tabajara levanta poeira”), um dos melhores do ano, cantado pelas arquibancadas com animação, a Portela entrou na Sapucaí como a favorita, e saiu como apenas uma das candidatas a participar do Desfile das Campeãs, mas provavelmente não no pódio. Além do samba, um destaque foi a alegria dos componentes, que acreditavam ser possível ampliar a coleção de títulos portelense, a maior existente: são 21 títulos, sendo o último há 31 anos, dividido com a Mangueira, na inauguração do sambódromo.

O carnavalesco Alexandre Louzada, que começou a carreira na Portela exatos 30 anos atrás, preparou um desfile com surpresas tecnológicas: a escola foi precedida por 450 drones de miniáguias, que fizeram uma revoada sobre a plateia, e por quatro para-quedistas que aterrisaram em plena avenida - algo que nunca se viu em 31 anos de sambódromo. 

“Para fazer um Rio surrealista, tive que me distanciar de mim mesmo, pois sou um carnavalesco da linha tradicional. Precisei criar um clone meu”, brincou Louzada na concentração, referindo-se ao ator que o

representou na comissão de frente, junto com outro vestido como Salvador Dalí. A ideia do enredo era essa: o Salvador Dalí e o “Salvador Daqui” imaginando um Rio diferente, em que os pontos turísticos foram reconfigurados - além da águia-Cristo, o Maracanã virou disco voador, e o relógio da Central do Brasil foi “derretido” como nos quadros do mestre espanhol - e a fauna e a flora foram retratadas com o exagero do

surrealismo.

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