Porto da Pedra abre o segundo dia do carnaval no Rio

Escola aposta no tema da curiosidade no samba-enredo e estreia com Max Lopes como seu novo carnavalesco

Teresa Ribeiro, do estadao.com.br e Mônica Ciarelli, de O Estado de S. Paulo,

23 Fevereiro 2009 | 23h31

A Porto da Pedra entra na passarela com 4,5 mil componentes lutando para não ser rebaixada no carnaval carioca com o samba-enredo Não me Poíbam Criar, Pois Preciso Curiar! Sou o País do Futuro e Tenho Muito a Inventar! Quem puxa o samba é o intérprete Luizinho Andanças.

 

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O termo 'curiá' do samba (Não me Poíbam Criar, Pois Preciso Curiar! Sou o País do Futuro e Tenho Muito a Inventar!) foi uma invenção do carnavalesco Max Lopes. Segundo ele, a expressão significa inventar, abusar da curiosidade...

 

O carnavalesco da Porto de Pedra é Max Lopes, considerado um dos famosos do carnaval brasileiro, faz sua estreia na escola. Conhecido como "mago das cores", ele tem título de Imortal da Acadêmia de Belas Artes e cadeira permanente no Conselho de Carnaval de sua ex-Escola, a Mangueira.

Porto da Pedra abre o segundo dia do carnaval carioca. Foto: Marcos D'Paula/AE

 

O vermelho e o branco dominam o desfile da Porto da Pedra, que se apresenta com um enredo que faz analogia entre a sedução e a curiosidade humana que impulsiona as realizações e façanhas do homem, como uma mola do processo evolutivo.

 

Por isso o tema da comissão de frente é 'neurônios'. Traz homens vestindos com malhas negras com pontos brilhantes, lembrando as células cerebrais e uma coreografia que reconstitui a malha dos neurônios no cérebro.

 

A escola abre seu desfile com o tigre, que é seu símbolo, e muito dourado na ala 'A Descoberta do Fogo', fazendo uma alusão à grande descoberta do homem primitivo, que por meio do atrito entre dois pedaços de madeira seca conseguiu produzir o fogo.

 

A rainha da bateria é funkeira Valeska Popozuda do grupo Gaiola das Popozudas, com uma fantasia que tem 700 penas de pavão.

Valeska Popozuda, a rainha da bateria. Foto: Wilton Júnior/AE

 

Logo em seguida aparece o belíssimo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Falcão e Alessandra Bessa. Destaque para a mudança na tradição dos desfiles carnavalescos, que normalmente mantinham o casal no segmento final da avenida.

 

O carnavalesco Max Lopes desenvolve as alegorias com o mote da curiosidade. Assim, vem o carro abre-alas 'A Expulsão do Paraíso', lembrando a história de Adão e Eva e o fruto proibido.

 

Depois, a lenda da caixa de Pandora. A filha de Zeus ganhou uma caixinha do pai quando foi enviada de presente a Epimeteu, irmão de Prometeu. Mas a caixa, que deveria permanecer fechada, foi aberta sem querer deixando escapar os males que afligiriam a humanidade: a velhice, o trabalho, a doença, a loucura, a mentira e a paixão, restando apenas a esperança.

Porto da Pedra teve problemas com carros alegóricos e atraso no desfile. Foto: Fábio Motta/AE

 

As questões religiosas também aparecem nos carros alegóricos e fantasias, registrando o crescimento do Cristianismo no Império Romano, influenciando o comportamento dos homens. A Inquisição também está representada no desfile da Porto da Pedra. E ainda o desenvolvimento da arte, arquitetura, literatura, música, teatro.

 

Um dos destaques do desfile foi o carro 'Apocalipse', em que o carnavalesco reflete sobre o destino que a curiosidade reservou ao homem, com as guerras e ataques ao meio ambiente. O carro alegórico vem cheio de caveiras.

 

Uma sucessão de problemas durante o desfile da Porto da Pedra deve tirar o sonho da escola de permanecer no Grupo Especial do Canarval carioca. Ainda na concentração a escola de São Gonçalo teve problemas com seu carro abre-alas, de 60 metros, o que provocou o primeiro buraco na Marquês de Sapucaí.

 

Mas, as dificuldades não pararam por aí. Praticamente todos os carros alegóricos da Porto da Pedra tiveram problemas para entrar na avenida, prejudicando a evolução e harmonia da escola.  O pior foi com o segundo carro, que representava a pré-história no enredo "Não Me Proibam de Criar". Com problemas mecanicos, a alegoria demorou mais de dez minutos para manobrar e conseguir entrar na Sapucaí.

 

O tempo também foi vilão. O último componente da escola de São Gonçalo cruzou a praça da Apoteose com cravados 82 minutos, limite máximo permitido pela Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). No desespero para cumprir o tempo regulamentar, os integrantes tiveram que correr pela avenida, No final, após uma grande confusão na dispersão, os diretores da escola e coordenadores choravam, comemorando o fato de terem conseguido, pelo menos, evitar a perda de pontos com o tempo do desfile.

 

"Desfile sem emoção não existe", minimizou o presidente da Porto da Petra, Uberlan Jorge de Oliveira, que preferiu não comentar os problemas enfrentados pelos grandes carros alegóricos criados pelo carnavalesco Max Lopes, que coleciona campeonatos pela Mangueira.  

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