Posto do PAC em Manguinhos funciona sem reforço policial

Mesmo com ataque de criminosos no dia anterior, posto móvel recebe 2,5 mil pessoas neste terça

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

19 de fevereiro de 2008 | 19h28

Um dia após um ataque de criminosos interromper a inscrição de candidatos para as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na Favela de Manguinhos, na zona norte do Rio, não houve reforço de policiamento no local. Apesar dos tiros que feriram um funcionário do governo do Estado na Avenida dos Democráticos, na segunda-feira, 2,5 mil pessoas foram nesta terça-feira, 19, ao posto móvel da Secretaria de Trabalho e Renda, dessa vez instalado na Rua Leopoldo Bulhões, em busca de emprego. Veja também:Rio fará operações especiais para garantir PAC em favelas Pela manhã, o comandante de Policiamento da Capital, coronel Marcus Jardim, afirmou que o ataque foi um "evento isolado" e disse que o número de policiais - dez - seria mantido no segundo dia de cadastramento. Ele cumprimentou pessoas na fila. Muitas reclamaram do atraso - o atendimento, iniciado às 10h30, estava previsto para começar às 9 horas. Na segunda-feira, por volta das 16 horas, o funcionário Antônio Carlos Macedo Júnior, de 28 anos, foi ferido sem gravidade nas costas por estilhaços de bala, dentro do posto. "Foi um fato pontual, um evento isolado. O policiamento aqui é o suficiente. Uma prova disso é que os policiais resguardaram a integridade das pessoas que procuravam emprego. Se for necessário, haverá reforço, mas por enquanto não é. O efetivo é compatível com a necessidade", declarou Jardim. O comandante do 22.º Batalhão, Luigi Gatto, também foi ao local e afirmou que "não houve atentado". "É uma comunidade ordeira, que faz inscrição em paz para tentar conseguir emprego. O objetivo (dos criminosos, em três motos) não era intimidar. Eles depararam com policiais na saída da favela." Algumas pessoas dormiram na fila para garantir o lugar. Foi o caso de Maria José Severo da Silva Bonfim, de 35 anos. "Cheguei às 8h40 de ontem (segunda). Queria uma vaga para auxiliar de serviços gerais, mas aceito o que tiver. Estou desempregada há muitos anos, sem carteira assinada, vivo de biscate, faço unha e lavo roupa", disse ela, que foi a primeira a se cadastrar, às 10h40 desta terça, após 26 horas de espera.  A segunda da fila, Andréa Silva de Araújo, levava um colchonete. Ela disse que estava cansada, mas satisfeita. "Consegui a inscrição, graças a Deus. Eles pediram meus documentos e fizeram o cadastro no computador. Agora vou voltar para casa, fazer o almoço e ficar na expectativa." Nesta terça, o número de funcionários foi ampliado de 9 para 14. Luiz Alberto Moreira é um deles. "Fiquei surpreso. Trabalho há dez anos em comunidades e nunca tinha visto uma coisa dessa (os tiros). Mas um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar. A gente está fazendo uma coisa boa para a população local, e sempre foi bem recebido, mesmo em áreas de risco." Estão previstas 1,5 mil vagas para as obras do PAC em Manguinhos - de serventes, carpinteiros, eletricistas, marceneiros, pedreiros, etc. Os salários variam de R$ 600 a R$ 900, e o cadastramento vai até o dia 27. A Secretaria de Trabalho e Renda informou que 10.520 pessoas já se inscreveram em Manguinhos, no Complexo do Alemão (zona norte) e na Rocinha (zona sul).  Nesta terça, foram 2,5 mil em Manguinhos (ante 1.020 na segunda-feira), 600 no Alemão e 420 na Rocinha. Nas duas últimas favelas, o cadastramento começou antes, no sábado - na Rocinha, até arquitetos e engenheiros foram cadastrados. Há 4,6 mil vagas nas três favelas - 1,3 mil na Rocinha, e 1,8 mil no Alemão. Os cadastros serão entregues pelo governo às empresas que venceram a licitação. Moradores das áreas terão prioridade, e pelo menos 20% das vagas devem ser destinadas a mulheres. O governo também quer beneficiar pessoas que já cumpriram pena. O início das obras em Manguinhos está previsto para a segunda quinzena de março, com a presença do presidente Lula.

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