Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Prefeito do Rio decide não ir à Sapucaí neste domingo

Crivella postou um vídeo numa rede social em que diz que não sabe sambar, mas sabe trabalhar; ele já tinha quebrado tradição de entrega das chaves ao Rei Momo e, na noite deste domingo, foi a final de competição de tênis

Vinicius Neder e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2017 | 21h37
Atualizado 26 de fevereiro de 2017 | 22h57

RIO – O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), faltou ao primeiro dia dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca, na noite deste domingo. No início da noite, o prefeito acompanhou a final do tênis Rio Open, único torneio de tênis do País de peso no calendário do circuito internacional. No fim da tarde de sábado, o prefeito postou um vídeo numa rede social em que diz que não sabe sambar, mas sabe trabalhar.

A assessoria de imprensa do prefeito confirmou, por volta das 22 horas, que Crivella não iria ao sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí neste domingo. Na mesma hora, a Paraíso do Tuiuti, escola que abriu os desfiles do Grupo Especial, entrava na Sapucaí. Em mensagem à reportagem, a assessoria informou que o prefeito acompanhou a final do torneio de tênis, incluindo a premiação -- o austríaco Dominic Thiem, 8o colocado no ranking mundial, levou o campeonato. A partida terminou por volta das 19 horas. O Rio Open foi disputado no Jockey Club, na Gávea, zona sul do Rio.

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella vinha evitando responder sobre sua agenda durante o carnaval desde a posse, no início de janeiro. A Igreja Universal é contra a participação de seus fiéis no carnaval. A prefeitura chegou a admitir que ele poderia viajar, quebrando uma tradição dos prefeitos do Rio durante a mais popular festa da cidade.

No vídeo foi postado às 18h09 de sábado, na conta de Crivella no Facebook, o prefeito aparece ao lado do secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente, Rubens Teixeira da Silva, e diz aos espectadores estar num trecho da Avenida das Américas, entre o Recreio dos Bandeirantes e Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Nas imagens, Crivella aponta para um desnível na pista expressa e diz que a prefeitura vai reparar o asfalto.

Vamos corrigir essa falha e outras falhas, porque o prefeito está fiscalizando pessoalmente a cidade”, diz Teixeira da Silva, que parece estar segurando o celular, com a câmera no modo “selfie”. “Hoje é sábado de carnaval. A gente não sabe sambar, mas sabe trabalhar”, completa Crivella.

Até as 22h45 horas deste domingo, o vídeo tinha 376 mil visualizações, 18 mil “curtidas” e 5.867 compartilhamentos.

Na sexta-feira, Crivella já havia quebrado uma tradição do carnaval carioca. Todos os anos, na véspera do início oficial da folia, o prefeito do Rio entrega simbolicamente as chaves da cidade ao Rei Momo, que passa a ser a “autoridade máxima” do município. Com o gesto, é declarada oficialmente aberta a folia carioca. Agendada para as 18 horas de sexta-feira, dia 24, a entrega foi feita pela secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, mas somente após as 20h30.

Durante todo o dia, a prefeitura foi procurada por telefone para dar informações sobre a "cerimônia de transmissão", mas não atendeu às ligações – na sexta-feira, foi ponto facultativo nas repartições públicas do Rio. A Riotur, órgão de promoção do turismo e responsável pela organização do carnaval, informou não ter detalhes sobre o evento, tampouco confirmou a presença de Crivella ou de outro representante dele.

A incerteza sobre o evento deixou esperando a imprensa, músicos da banda da Guarda Municipal e integrantes do Instituto Cultural Candonga, entidade que é guardiã da chave no intervalo entre os carnavais. "Fomos chamados para o evento às 18 horas, mas ninguém nos disse quem vai entregá-la ao Rei Momo", disse Maria Cristina Silva de Jesus, presidente do Instituto Candonga, antes da chegada de Nilcemar e, finalmente, da realização do evento.

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