WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Praças do Rio terão ligação à beira-mar

Históricas, Praça 15 e Mauá vão ganhar roteiro com vista para pontos turísticos da Guanabara, antes só disponível para militares da Marinha

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2015 | 03h00

RIO - Áreas-chave do centro do Rio ao longo da história, a Praça 15, uma das ocupações mais antigas da cidade, com origens no século 16, e a Praça Mauá, construída em 1910 para receber quem chegava de navio, distam apenas um quilômetro uma da outra, aproximadamente. A partir do ano que vem, esse caminho poderá ser feito à borda da Baía de Guanabara, em um trajeto muito mais agradável.

O percurso à beira-mar estará livre para o visitante, com vista para as Ilhas Fiscal, das Enxadas e das Cobras, para a Ponte Rio-Niterói e para prédios históricos. Hoje, o caminho é feito pelas movimentadas Avenida Rio Branco e Rua 1.º de Março, longe da orla. O novo caminho era fechado ao público porque passa por dentro do complexo do 1.º Distrito Naval, no contorno do Morro de São Bento. 

Cedido pela Marinha à prefeitura – em troca da reurbanização do terreno do 1.º Distrito Naval e da reconstrução de um refeitório militar –, o percurso que está para ser inaugurado apresenta ao visitante prédios dos séculos 17, 19 e início do 20, que eram conhecidos apenas pelos militares e seus convidados. As obras começaram em 2012.

As edificações mais interessantes são a do comando do 1.º Distrito, antigo Armazém do Sal, de 1754, e o que abrigava o Ministério da Marinha, em estilo art déco, da primeira metade do século 20. Dentro da baía, são as construções das Ilhas das Cobras e das Enxadas. O Mosteiro de São Bento, de 1671, no alto do morro que lhe deu o nome, será visto em ângulo inédito para o grande público.

Sob a Ponte Arnaldo Luz, que leva à Ilha das Cobras, está sendo preparada a instalação de um deque metálico em formato de bumerangue, de 400 metros, para a passagem dos pedestres sobre a baía. No trecho final, avista-se a mais bela das construções: a Ilha Fiscal. Ela é famosa por ter sido cenário do último grande baile da monarquia, em 9 de novembro de 1889. 

Mauá. No outro extremo, na Praça Mauá, o imponente e moderno Museu do Amanhã, em fase de ajustes finais para a inauguração, proporciona um choque arquitetônico, pelo contraste com as construções antigas. Bancos de concreto, como os da praça, estão sendo instalados ao longo de todo o passeio. São um convite para que os transeuntes desacelerem e apreciem a paisagem, aproveitando a brisa vinda da baía.

A faixa tem 600 metros e deverá ser aberta ao público em junho, antes dos Jogos Olímpicos do Rio. É apenas um trecho da chamada Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, um calçadão de 3,5 quilômetros que vai do Armazém 8 do cais do porto até a Praça 15, cuja abertura foi precedida pela derrubada do Elevado da Perimetral. 

O viaduto, posto abaixo nos últimos dois anos, encobria a região. Conde (1934-2015), arquiteto que governou o município de 1997 a 2000, foi homenageado por ser um entusiasta da revitalização da zona portuária. O renascimento da região se inspira em cidades como Buenos Aires, que transformou seu degradado Puerto Madero em região sofisticada. “Essa área tinha mesmo de ser aberta ao público, não fazia sentido ficar algo privado das Forças Armadas”, diz o arquiteto Antonio Agenor Barbosa, professor de História e Teoria da Arquitetura da Universidade Federal de Juiz de Fora. 

Abertura do Museu do Amanhã fica para dezembro

Para quem olha da Praça Mauá, a impressão é de que o Museu do Amanhã está pronto para ser aberto ao público. Mas a inauguração foi adiada mais uma vez, agora para 19 de dezembro. Estimadas em R$ 215 milhões, as obras começaram há cinco anos. O museu, o primeiro do gênero do mundo, conforme seu curador, o físico Luiz Alberto Oliveira, foi prometido inicialmente para 2011. A data logo se provou inviável, ao considerar a arquitetura complexa do premiado espanhol Santiago Calatrava, que criou uma estrutura metálica suspensa de 3,8 mil toneladas. Depois foi anunciado que ele seria um marco da Rio+20, a conferência da ONU sobre sustentabilidade realizada em 2012. 

O último anúncio da prefeitura sobre a inauguração havia sido para 17 de novembro, mas os operários só devem retirar-se para que se intensifiquem os testes dos elementos museográficos, de alta tecnologia, no fim do mês. Ainda resta finalizar espelhos d’água da área externa e a instalação dos ambientes.

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