Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Prédios do Rio guardam memória do período imperial

Cidade abriga Quinta da Boa Vista, Casa da Marquesa e Paço Imperial, endereços históricos para o Brasil

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2015 | 03h00

RIO - Capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1815 a 1822, do Império do Brasil de 1822 a 1889, e da República de 1889 a 1960, o Rio tem um conjunto de prédios que resistiu ao tempo e à falta de recursos para conservação. E continua contando essa história.

O mais relevante e bem preservado do século 19 é a residência de verão de d. Pedro II, o Museu Imperial, que fica em Petrópolis, cidade serrana a 70 quilômetros do Rio. Mas a capital tem marcos do período, como a Quinta da Boa Vista, moradia de d. João VI, d. Pedro I e d. Pedro II, a vizinha Casa da Marquesa de Santos, que abrigou a amante de Pedro I, e o Paço Imperial, cenário do “Dia do Fico” do imperador e da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.

“O Rio foi capital da Colônia, do Império e da República, então a presença federal é muito mais forte do que em São Paulo. Isso fez com que o cuidado com os edifícios fosse maior aqui”, diz Maurício Vicente Ferreira Junior, diretor do Museu Imperial, que guarda o principal acervo do País relativo ao Império, somando cerca de 300 mil itens museológicos.

Pesquisa. Voltado à Arqueologia e à Antropologia, o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Quinta da Boa Vista, domicílio imperial desde a chegada da Corte ao Rio, em 1808, até a deposição de Pedro II, em 1889, funciona ali desde 1892. Está em bom estado, mas tem uma única referência ao período. Trata-se do painel que conta a evolução do imóvel, desde que foi cedido pelo rico comerciante Elias Antonio Lopes ao príncipe regente. A instalação do painel foi uma demanda dos visitantes, conta o vice-diretor, Renato Ramos: o público que procura múmias e ossadas de dinossauros quer saber dos antigos habitantes.

O museu é a mais antiga instituição científica do Brasil, criado por d. João VI em 1818 e, inicialmente, ficava no centro. “Para o aniversário de 200 anos, em 2018, queremos restaurar o gabinete de d. Pedro II, no segundo andar”, prevê o vice-diretor.

Os únicos espaços mantidos como no século 19 são a Sala do Imperador e a Sala dos Embaixadores, mas sem mobiliário, vendido em 1889. O prédio, que depende dos recursos limitados da UFRJ, precisa de reparos em duas fachadas e na escada de madeira que leva ao segundo andar, entre outras melhorias.

A menos de 1 km do Palácio de São Cristóvão está o antigo Museu do Primeiro Reinado, agora renomeado Casa da Marquesa de Santos-Museu da Moda Brasileira. O palacete construído a mando de Pedro I e dado de presente para a amante Domitila de Castro Canto e Melo, em 1827, para que ela estivesse sempre por perto, está sendo restaurado e modernizado desde 2012 e se encontra fechado.

Quando reabrir (não há data prevista), contará a história da casa como lugar de memória do período imperial e tratará da figura da Marquesa e dos costumes no Brasil ao longo dos séculos. A moda será apresentada como elemento de identidade cultural do País.

No Paço Imperial, uma exposição modesta de fotos e painéis conta a trajetória da construção, que nasceu como Casa dos Governadores, em 1743, e passou a Paço Real em 1808. Foi quando começou a ser usada por d. João VI, para trabalho e moradia. Ele acabaria por se mudar para São Cristóvão por considerar o centro tumultuado.

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