Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Prefeitura do Rio derruba 52 barracas e revolta ambulantes

Vendedores protestaram contra ação, que teve apoio das tropas; prefeito ordenou afastamento dos responsáveis

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

10 Março 2018 | 02h22

Uma operação da prefeitura do Rio, com apoio de militares, derrubou ontem 52 barracas e quiosques que ambulantes mantinham na principal praça da Vila Kennedy. Os comerciantes ficaram desesperados. Alguns, chorando, chegaram a se colocar na frente das máquinas. À noite, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) condenou, por nota, o procedimento dos funcionários. Também ordenou o seu afastamento das funções.

Os agentes municipais chegaram de manhã à Praça Miami, com retroescavadeiras. Militares, policiais e guardas municipais lhes deram cobertura. Segundo a Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização da prefeitura, foram achadas construções irregulares, de alvenaria e metal. Elas ocupavam “quase todo o espaço livre da praça, um flagrante desrespeito à Lei Orgânica do Município”. Comerciantes foram cadastrados para serem realocados “de forma legal e ordenada”. Licenças serão sorteadas e as barracas seguirão módulo padronizado.

A explicação não agradou aos ambulantes – que, em sua maioria, vendem alimentos, como sanduíches e açaí, ou acessórios de celular. Alguns se ajoelharam, choraram e discutiram com agentes para evitar a demolição. Parte deles conta já ter tentado licenças na subprefeitura de Bangu, sem sucesso. 

“Destruíram a vida de um monte de trabalhador. A única oportunidade que nos deram foi a de retirar os produtos. Trabalho há 15 anos ali, vendendo sanduíche, café, salgados. Estamos tentando ganhar a vida dignamente”, lamentou Luciana Damasceno, de 34 anos. Ela dividia um quiosque com o marido. O casal tem um filho, de 4 anos, e Luciana está grávida.

Roubo

Na quinta-feira, 8, à noite, após a saída das tropas da favela, três encapuzados fizeram um arrastão em uma igreja. Eles roubaram celulares, carteiras e alianças de cerca de 20 fiéis e do padre, e ameaçaram atirar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.