Preso acusado de vazar informações sobre operação na Rocinha

Policial teria informado traficantes sobre operação com mais de 300 agentes na semana passada

Pedro Dantas, do Estadão,

07 de agosto de 2007 | 09h20

A polícia prendeu nesta terça-feira, 7, o inspetor da Polícia Civil Sérgio Albuquerque, de 49 anos, acusado de avisar a traficantes da Favela da Rocinha, em São Conrado (zona sul) sobre a megaoperação realizada pela polícia na semana passada cujo objetivo era estourar um paiol de armas e drogas. No local, os policiais encontraram apenas uma casa vazia.   Lotado na 12ª Delegacia de Polícia, em Copacabana, ele foi preso em seu apartamento, onde a polícia apreendeu duas armas, munições, uma trouxinha de maconha, cinco celulares, dois computadores e dezenas de CDs. O inspetor, que é dono de uma firma de empréstimo de dinheiro na favela, negou as acusações, mas foi indiciado por associação para o tráfico cuja pena máxima é de 6 anos.   Escutas telefônicas entre o policial e traficantes da Rocinha revelam que dias antes da ação policial o traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, de 25 anos, um dos chefes do tráfico na favela, pergunta para o inspetor se aconteceria "o futebol dos azuis" se referindo à operação. O inspetor responde que ainda não sabe. "Mas vou ver isso. Vou dar uma olhadinha. Mas fica alerta. Eu avisei!", disse Albuquerque ao traficante.   De acordo com o delegado-titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Ronaldo Oliveira, a voz do inspetor foi identificada no dia da operação no celular grampeado do traficante. "Há indícios dele ter retirado um traficante da favela naquele dia, levado o criminoso para almoçar em Copacabana e retornado à Rocinha após a nossa saída", disse Oliveira. Albuquerque era policial há quatro anos e ligado ao tráfico na Rocinha há sete meses, segundo a polícia.   O vazamento da operação policial a traficantes irritou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. No dia seguinte à operação, ele disse que o policial que traiu a polícia deveria ser preso e expulso. Nesta terça, Beltrame não descartou a hipótese do tráfico ter outros informantes dentro da polícia. "Porém, as investigações estão adiantadas e já estamos perto deles." Em um trecho da gravação, um traficante insinua que outros policiais são informantes. "Fica tranqüilo. Não vai acontecer nada com você, nem com seus amigos", disse o criminoso.   Em outro trecho, após a operação na Rocinha ter sido encerrada, o inspetor comemora o fracasso dos policiais. "Graças a Deus", responde Albuquerque quando o bandido conta que a polícia nada encontrou na favela.   Ameaças   Nas gravações, os criminosos ainda ameaçam atirar contra prédios, escolas e casas de São Conrado, na zona sul, caso a polícia repita na favela da Rocinha as operações realizadas no Complexo do Alemão, na zona norte, onde 19 supostos bandidos morreram com indícios de execução. "Se vierem esculachar a gente aqui, vou dar um montão de tiros para os prédios lá, mansões e o Colégio Americano. Aí quero ver. Vamos mexer com a sociedade", afirma o traficante identificado como Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, de 25 anos .   "Eles tem que ver que a filha da Xuxa (apresentadora de TV) estuda lá (na Escola Americana), tem a mansão do Chico Buarque, da Marieta Severo, o César Maia na Gávea Pequena (residência oficial do prefeito), as mansões do Joá que ninguém rouba. Bota outro comando (facção) aqui para ver o que acontece. Vão ter uma dor de cabeça com assalto", ameaçou o bandido. Nenhum dos artistas citados moram nos endereços mencionados, o prefeito não reside na Gávea Pequena e a Escola Americana irá para a Barra da Tijuca, na zona oeste.   Matéria ampliada às 19h53

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