Preso um suspeito de envolvimento na morte de comandante de UPP

Cassiano da Silva Harris teria participado de confronto que matou o capitão Uanderson Manoel da Silva e seria do Comando Vermelho

THAISE CONSTANCIO, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 09h09

Atualizado às 15h31

RIO - Cassiano da Silva Harris, de 20 anos, foi preso na madrugada desta sexta-feira, 12, suspeito de ter participado do confronto que terminou com a morte do comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, o capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos. 

Na ação, Cassiano teria arremessado um artefato explosivo contra uma das viaturas da Polícia Militar que patrulhavam o Largo da Vivi, onde o capitão Uanderson foi atingido por um tiro no tórax.

Cassiano foi reconhecido por outros policiais que participaram do patrulhamento no momento do ataque. O artefato não explodiu, e os suspeitos já foram identificados. O bandido teve a prisão temporária decretada por 30 dias pelo juiz Vinicius Marcondes de Araújo, do Plantão Judiciário.

Na decisão, o magistrado ressaltou que Cassiano foi "identificado como linha de frente da resistência ao processo de pacificação da Vila Cruzeiro (no Complexo da Penha, também na zona norte), integrante de facção criminosa violenta (Comando Vermelho)". 

Contra o criminoso pesou também o fato de ter arremessado "artefato explosivo com vistas a eliminar, ao menos com aparente dolo eventual, dois policiais militares que ali trabalhavam, não havendo explosão por obra o acaso".

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) segue fazendo operação na região, para tentar localizar outros envolvidos no assassinato do comandante.
O capitão estava na Polícia Militar havia 11 anos e desde junho comandava a UPP Nova Brasília.

Enterro. O capitão Uanderson serão enterrado às 16h, na Capela A do Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na zona oeste do Rio. 

Cronologia dos ataques

Policiais mortos em UPPs:
- A primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio foi instalada em março de 2008, no morro Santa Marta, em Botafogo, zona sul do Rio. A primeira morte foi em julho de 2012, na UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte.
- O capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, foi o primeiro comandante da UPP a ser assassinado em serviço.
- 14 policias foram mortos em serviço

2014
11 de setembro - comandante da UPP e capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, na UPP Nova Brasília
23 de junho - soldado Fábio Gomes da Silva, de 30 anos, na UPP Fazendinha
13 de março - subcomandante da UPP e aspirante a oficial Leidson Acácio Alves Silva, de 27 anos, na UPP Vila Cruzeiro
12 de março - soldado Weslley dos Santos da Silva Lucas, de 30 anos, na UPP Coroa/Fallet/Fogueteiro 
6 de março - soldado Rodrigo de Souza Paes Leme, na UPP Nova Brasília
28 de fevereiro - soldado Wagner Vieira Cruz, de 33 anos, na UPP Vila Cruzeiro
2 de fevereiro - soldado Alda Rafael Castilho, de 27 anos, na UPP Parque Proletário

2013
2 de novembro - soldado Melquizebeque dos Santos Basílio, de 29 anos, na UPP Parque Proletário
6 de outubro - soldado Anderson Dias Brazuna, de 34 anos, na UPP Cidade de Deus
18 de agosto - soldado Paulo Ricardo Fontes Carreira, de 30 anos, na UPP Batan

2012
5 de dezembro - cabo Fabio Barbosa da Silva, de 38 anos, na UPP Alemão
15 de setembro - sargento Paulo Cézar Lima Junior, de 33 anos, do BPChoque, na UPP Coroa/Fallet/Fogueteiro
13 de setembro - soldado Diego Bruno Barboza Henriques, de 24 anos, na UPP Rocinha
23 de julho - soldado Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, na UPP Nova Brasília

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