Imagens cedidas pela polícia/EFE
Imagens cedidas pela polícia/EFE

Presos podem pensar em delação premiada, diz Witzel sobre suspeitos no caso Marielle

Governador comemorou prisões, classificando-as como 'resposta à sociedade'; segunda fase da investigação tentará chegar a mandantes dos assassinatos

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 12h43
Atualizado 12 de março de 2019 | 18h13

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), disse que os suspeitos presos nesta terça-feira, 12, no caso Marielle "poderão pensar na delação premiada" para que a investigação chegue aos mandantes do crime. Ronie Lessa, policial militar reformado, e Elcio Vieira de Queiroz, expulso da Polícia Militar, foram presos nesta terça, suspeitos de serem os executores da vereadora.

Witzel reuniu autoridades da Polícia Civil e os delegados responsáveis pelo inquérito para apresentar o resultado do que classificou como 1ª fase da apuração. Uma 2ª fase seria a responsável para chegar aos mandantes do assassinato. 

Witzel comemorou a "resposta dada à sociedade". O delegado Giniton Lages, responsável pelo inquérito, detalhou que a investigação ouviu 230 testemunhas, interceptou 318 linhas telefônicas e chegou a um intricado rastro de vestígios deixados pelos suspeitos. "Foi uma execução sofisticada e que não teve erro por parte dos criminosos. Eles não desceram do carro em nenhum momento, não fizeram ligação, não deram oportunidade para que a investigação chegasse até eles", disse Lages. 

O delegado disse que nenhuma linha de investigação está afastada para a 2ª fase. No entanto, Lages esclareceu que a testemunha que havia tentado ligar o vereador Marcello Siciliano e Orlando de Curicica ao caso voltou atrás da declaração e poderá ser responsabilizado por isso. "Mesmo assim, não afastamos a possibilidade de Siciliano nem de ninguém na 2ª fase da apuração."

Crime de ódio

O delegado Giniton, responsável pela investigação do assassinato de Marielle Franco,  afirmou que a execução da vereadora pelo PM reformado Ronnie Lessa "foi um crime de ódio" realizado "por motivo torpe". O delegado afirmou que neste momento a polícia mão sabe quem foram os mandantes do crime e a motivação do assassinato. 

Na entrevista coletiva que durou quase duas horas, o delegado contou que nos meses que antecederam o crime, Lessa teria feito várias pesquisas online não só sobre Marielle Franco, mas também sobre o então deputado estadual Marcelo freixo e sua família. Segundo o delegado, Lessa demonstrava ódio dos parlamentares por conta de ideologia política.

Lessa e Queiroz foram denunciados por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras de Marielle que também estava no carro. A prisão é resultado de uma operação conjunta do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Além dos mandados de prisão, a Operação Lume cumpre mandados de busca e apreensão em endereços dos dois acusados para apreender documentos, celulares, computadores, armas, munições e outros objetos. Após a prisão dos suspeitos, parlamentares do PSOL e a viúva de Marielle pediram que as investigações continuem para descobrir o mandante do crime. 

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