Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo
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Primeiro dia de restrição de transportes no Rio começa com filas e triagem na ponte Rio-Niterói

Decreto do governador Witzel restringiu a circulação do transporte intermunicipal de passageiros que liga a Região Metropolitana à cidade do Rio de Janeiro; exceções são trens e barcas

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 09h54

RIO - O primeiro dia da aplicação do decreto do governador Wilson Witzel restringindo a circulação do transporte público, para evitar concentrações e transmissão acelerada do novo coronavírus começou com algumas filas nos transportes que estão liberados - barcas e trens - e muita polícia militar na rua. A partir da zero hora deste sábado, 21, foi suspensa a circulação do transporte intermunicipal de passageiros que liga a Região Metropolitana à cidade do Rio de Janeiro. As exceções são trens e barcas, que operaram com restrições definidas pelo Governo do Estado em decreto, para atendimento a serviços essenciais.

Dez estações da SuperVia estão fechadas para embarque e desembarque: Ramal Japeri (Presidente Juscelino, Olinda, Lages e Paracambi), Ramal Belford Roxo (Coelho da Rocha, Agostinho Porto e Vila Rosali) e Ramal Saracuruna (Jardim Primavera, Campos Elíseos e Corte 8). No sistema aquaviário, foi interrompida a operação nas estações de Charitas (Niterói) e Cocotá (Ilha do Governador)

Só podem embarcar nos transportes públicos trabalhadores de setores definidos como 'essenciais' e pacientes em tratamento de saúde, com um acompanhante, desde que munidos de atestado médico, agendamento ou outro documento comprobatório da condição médica. 

São considerados essenciais servidores públicos em serviço, inclusive aqueles relacionados às forças armadas, bombeiro militar e agentes de segurança pública; profissionais do setor de saúde em geral, inclusive individuais que prestem serviços de atendimento domiciliar, excetuando-se os serviços de natureza estética; profissionais do setor de comércio relacionados aos gêneros alimentícios, tais quais mercados, supermercados, armazéns, hortifrutis, padarias e congêneres, farmácias drogarias e pet shops, revendedores de água e gás.

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Para controlar o acesso, há pontos de controle em 18 estações (14 da SuperVia, 3 do MetrôRio e 1 da CCR Barcas). Nesses locais, a Polícia Militar realiza a triagem dos usuários, com o apoio de funcionários das concessionárias. O embarque ocorre por meio da apresentação de documento de identidade profissional, carteira de trabalho ou crachá funcional acompanhado de identidade oficial.

Ponte Rio-Niterói

Os ônibus intermunicipais não estão chegando ao Rio de Janeiro pela Ponte Rio-Niterói, que desde a zero hora deste sábado passa por um processo de triagem para limitar o acesso à capital do estado. Em duas entradas da ponte, dezenas de policiais militares param os carros e caminhões para decidir quem pode ou não prosseguir viagem.

"As ações programadas pelo comando da Polícia Militar têm como objetivo ampliar o isolamento social e conter a intensidade da disseminação do novo coronavírus no estado", informou a PM em nota.

Segundo a PM, o planejamento cobre todo o território estadual, mas, nesse primeiro momento, o foco principal será a formação de um cordão de isolamento sanitário na capital. Para tanto, serão realizadas barreiras de contenção para controlar o acesso em 14 estações da SuperVia, na Zona Norte do Rio e em municípios da Baixada, em três estações do metrô e nas estações da barcas.

Apesar da ponte ser do âmbito federal, inaugurada pele ex-presidente militar Emílio Garrastazu Médici, em 1974, a PM, estadual, ocupa as entradas pela Alameda São Boaventura e pela avenida Jansen de Mello.

A restrição não está acontecendo para a passagem de caminhões, que levam alimentos, remédios e outros insumos essenciais para as cidades. Os carros de passeio, porém, são fiscalizados um a um para tentar reduzir o fluxo de pessoas. 

PM nas ruas

A Polícia Militar no Rio de Janeiro está usando sirenes para alertar as pessoas nas ruas sobre os riscos das concentrações, mesmo em espaços ao ar livre. Segundo a PM,  o som é usado para chamar a atenção das pessoas e emitir alertas de combate à pandemia do novo coronavírus. 

Nos casos de desobediência, os policiais militares atuarão de acordo com o protocolo interno da corporação, informa a nota da PM, que estabelece o uso progressivo da força.

"Pelo espírito solidário demonstrado pela maioria esmagadora da sociedade durante essa crise, o comando da Polícia Militar está confiante de que contará com a compreensão de todos. Contudo, em caso de desobediência, o infrator receberá voz de prisão, como está previsto na legislação vigente", explica a PM.

Além das ações de contenção nas estações de transporte, estratégicas para assegurar o cordão de isolamento, os policiais militares estarão presentes em vias urbanas, praias, parques e outros locais de atratividade coletiva, no sentido de apoiar os demais órgãos públicos e garantir o cumprimento do decreto governamental.

Desde a zero hora deste sábado foi iniciada uma mega operação da PM, com os policiais militares que atuam no patrulhamento nas ruas orientando a população para evitar aglomerações e, se possível, permanecer nas residências.

"Baseado nos princípios do policiamento preventivo e de proximidade, o planejamento estará integrado à atividade de rotina da Polícia Militar, que empregou todos os recursos humanos e materiais necessários, podendo ser ampliado caso haja necessidade", disse a PM.

Terceira morte

Neste sábado, o Rio confirmou a terceira morte pela doença. Até o momento, o estado registra 110 casos confirmados da doença, distribuídos nas seguintes cidades: Rio de Janeiro (89), Niterói (10), Petrópolis (3), Barra Mansa (1), Guapimirim (1) e Miguel Pereira (1).  Há ainda três (3) estrangeiros confirmados para a covid-19, além de dois (2) casos com o local de residência em investigação.

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